Veja abaixo um resumo das metas — há novidades também no colesterol total, no HDL (o colesterol bom) e nos triglicérides:


LDL


Como ficou:


Indivíduos com risco baixo: abaixo de 130 mg/dl


Indivíduos com risco intermediário: abaixo de 100 mg/dl


Indivíduos com risco alto: abaixo de 70 mg/dl


Indivíduos com risco muito alto: abaixo de 50 mg/dl


Como era:


Ótimo: abaixo de 100 mg/dl


Desejável: entre 100 e 129 mg/dl


Limítrofe: entre 130 e 159 mg/dl


Alto: entre 160 e 189 mg/dl


Muito alto: acima de 190 mg/dl


Indivíduos com risco alto: abaixo de 70 mg/dl


Indivíduos com risco intermediário: abaixo de 100 mg/dl


Colesterol total


Como ficou:


Desejável: abaixo de 190 mg/dl


Como era:


Desejável: abaixo de 200 mg/dl


Limítrofe: entre 200 e 239 mg/dl


Alto: maior que 240 mg/dl


HDL


Como ficou:


Desejável: acima de 40 mg/dl


Como era:


Desejável: acima de 60 mg/dl


Baixo: abaixo de 40 mg/dl


Triglicérides


Como ficou:


Desejável: abaixo de 150 mg/dl (com exame em jejum)


Como era:


Desejável: abaixo de 150 mg/dl


Limítrofe: entre 150 e 200 mg/dl


Alto: entre 200 e 499 mg/dl


Muito alto: acima de 500 mg/dl


Boas-novas na farmácia


O aperto nas metas foi possível graças à estreia em terras brasileiras de uma nova classe de remédios que permite baixar o LDL a valores nunca antes imaginados. Chamados de inibidores de PCSK9, esses fármacos protegem receptores no fígado que são responsáveis por retirar o colesterol da circulação. Com um maior número disponível dessas estruturas, o próprio organismo faz uma limpeza no sangue para capturar as moléculas de gordura excedentes e, assim, evitar a formação de trombos que patrocinam futuros ataques cardíacos ou derrames.


No Brasil, dois medicamentos desse tipo já estão disponíveis: o evolocumabe, da farmacêutica americana Amgen, e o alirocumabe, do laboratório francês Sanofi. Os dois são aplicados por meio de uma injeção quinzenal ou mensal, a depender da dose e da orientação do médico.


Nos estudos que serviram de base para a aprovação, essas drogas foram capazes de derrubar o LDL em mais de 60% quando comparados a soluções placebo, sem nenhum efeito terapêutico evidente. O evolocumabe ainda reduziu as mortes por problemas cardiovasculares em 15%. A pesquisa para saber os efeitos do alirocumabe em longo prazo ainda está em andamento. Os resultados devem sair em 2018.


É o fim das estatinas?


Apesar de representarem um baita avanço na cardiologia, os inibidores de PCSK9 não estão indicados para todo mundo — até porque o preço, na casa de mil reais a dose, não é lá muito convidativo. Segundo a nova diretriz brasileira, eles devem ser utilizados somente quando o paciente apresenta um risco cardiovascular elevado ou não obteve um bom resultado com as estatinas, comprimidos que seguem como a primeira linha de tratamento para a maioria dos casos. Esses novos remédios ainda devem ajudar bastante os portadores de hipercolesterolemia familiar, quando o colesterol aos borbotões está relacionado a uma herança genética.


Além de pílulas e injeções, o documento da SBC reforça o papel de outras estratégias no ajuste do colesterol, como a alimentação equilibrada, o emagrecimento, a cessação do tabagismo e a prática de atividade física. Sem essas mudanças no estilo de vida, remédio nenhum fará milagre.