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20/03/2018 «¢s 15h17min - Atualizada em 20/03/2018 «¢s 15h17min

Alonso recebe sopro de esperança com chegada da Renault

Mas será suficiente para renascer? Fernando Alonso tentou tanto que ganhou sua vontade da McLaren para renovar o contrato: largar a Honda e partir para uma parceria de fornecimento de motor com a Renault. Com a decisão tomada, o bicampeão passa a ter alguma esperança e grande expectativa sobre enfim uma fase de renascimento da equipe de Woking. Por enquanto, ele precisa da F1 e a F1 precisa dele, mas a paciência de ambos não será infinita

Alonso recebe sopro de esperança com chegada da Renault

Tanto fez nos meses finais de 2017 que Fernando Alonso conseguiu o que mais desejava para os últimos três anos: se ver finalmente livre das desventuras da Honda. A parceria permitiu que o bicampeão mundial tivesse uma chance casada de participar das 500 Milhas de Indianápolis e ver como é recebido pelo mundo "lá fora" da F1. Mas foi pouco. O relógio é cruel, está batendo os ponteiros finais da história do espanhol com a categoria com a qual se enamorou ainda jovem. Por ter a consciência disso, Alonso chamou a McLaren com um canto de sereia para levá-la até a Renault, uma outra casa antiga.


Depois de um triênio em que o melhor que conseguiu fazer foi chegar no quinto posto em três oportunidades - e, por incrível que pareça, isso ainda tem os contornos de um feito impressionante. Alonso vivia o fim do contrato que assinou com a McLaren em 2014, quando esperava capitanear um renascimento. Sem opções melhores na F1, sabia que era McLaren ou nada. Tanto que admitiu ter pensado em aposentadoria.


O que tinha de melhor para fazer era ficar, aproveitar a estrutura e o poderio da McLaren e fazer o que estava a seu alcance para ter uma chance. Cortejado pela Renault, começou a sussurrar a ideia nos ouvidos que cabiam. Até chegar ao ultimatoque diz não ter dado diretamente, mas era intelectualmente evidente: ou a equipe escolhia permanecer com a Honda ou ficava com ele. Os dois juntos não poderia ser. A pressão fez efeito.


 

De cara a sensação era de que a melhora seria automática. Afinal, conforme a McLaren e seus pilotos gostavam de ressaltar durante os últimos anos, o chassi era muito bom e mostrava desempenho em pistas onde a força do motor era menos decisiva. Confiabilidade e potência da unidade de força eram os atributos que separavam o time de Woking das primeiras colocações.
Todo o otimismo dos últimos meses começou a ser posto em prática no decorrer das semanas que passaram entre fevereiro e março, durante oito dias de testes coletivos de pré-temporada em Barcelona. O que se viu foi ao mesmo passo encorajador e preocupante. 

Encorajador porque o ritmo que a Honda jamais teve, como esperado, a Renault tem. Mesmo atrás das ponteiras Mercedes, Ferrari e Red Bull - essa última, aliás, dotada do mesmo propulsor -, a McLaren oferece a capacidade de lutar com a equipe de fábrica da parceira francesa, bem como com a Force India. Sobretudo nas três primeiras etapas da temporada da F1, na Áustrália, Bahrein e China, será notabilizado se a McLaren luta de fato para ser a quarta força em 2018. 

A parte da preocupação está nos constantes deslizes de confiabilidade. Se não necessariamente no motor, o carro da McLaren viveu diversos problemas tanto com Alonso quanto com Stoffel Vandoorne. Não foram tão graves quanto aqueles vistos nos últimos anos, é bem verdade, mas numa temporada onde a disponibilidade de trocas na unidade de força é ainda menor que em 2017, bem, alguns problemas insistentes serão a diferença entre bons pontos e fim do grid.

Aliado a isso, a McLaren se depara com uma Honda renovada. Os japoneses costuraram um rápido acordo com a Toro Rosso para fazer da pequena escuderia italiana sua equipe oficial na F1 - e se pôr como opção real à Red Bull para o ano que vem. Em Barcelona, o motor japonês praticamente não mostrou defeitos. Apesar de ainda faltar desempenho inicial, expôs a questão que circunda o ano da McLaren neste começo: e se a Honda for superior?
Alonso tem mais o que fazer neste ano e no próximo. Já correu as 24 Horas de Daytona como teste e agora passará a dividir o tempo com a Toyota e o Mundial de Endurance, inclusive com as 24 Horas de Le Mans. E ninguém discute que ele pensa grande, quer ganhar no WEC e ainda pensa em Indianápolis quando coloca a cabeça no travesseiro. Mas não é só nisso que ele pensa.

Alonso, bicampeão da F1 muito jovem, em 2005 e 2006, viveu na crista do mundo da F1. Michael Schumacher estava fora de cena e ninguém parecia desafiá-lo de perto. Naquele momento, agora já mais de uma década no retrovisor, Fernando movia montanhas e multidões e fazia com que fosse esperado o começo de uma Era Asturiana na F1. Mas o terceiro título nunca veio.

Apesar de todas as glórias, todo o espaço fora de lá e as vontades reais de ostentar a Tríplice Coroa, Alonso ainda não desapegou da F1. Alguma coisa na ligação quase umbilical entre Fernando e o Mundial ainda não apagou, não fendeu e mantém os dois grudados. Alonso quer provar que não desperdiçou as esperanças dos últimos 12 anos; a F1 gostaria de ver Alonso mostrar que os pilotos importam mais que os carros. 

Os dois ainda precisam um do outro, resta saber por quanto tempo podem esperar.


 






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AUTOR/FONTE: Grande Prêmio

Luiz Carlos Atagiba

([email protected]­m.br)

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