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07/10/2015 «¢s 00h35min - Atualizada em 07/10/2015 «¢s 00h35min

Animais Selvagens: fotografar leões na savana é emocionante, mas requer cuidados

Apesar de preguiçosos e dormirem até 20 horas diárias, leões podem ser ágeis em seus ataques

 Animais Selvagens: fotografar leões na savana é emocionante, mas requer cuidados

Observar um leão solto na savana é sempre uma experiência excepcional. Traz uma sensação de imenso respeito ao mundo selvagem, com uma pitada de frio na espinha e outra de excitação de assistir a um instante único.


Apesar de ser chamado “rei da selva”, o leão não vive em florestas tropicais – ele domina planícies e savanas. Se no passado seu território compreendia vastas extensões na África, na Europa e na Ásia, hoje o leão vive no continente africano – com uma única exceção, a floresta Gir, em Gujarat, na Índia. É um dos “Big Five”, considerados pelos caçadores como os cinco animais mais perigosos e mais difíceis.


Tive a oportunidade de ver e fotografar leões em cinco países situados no sul e no leste do continente: África do Sul, Botsuana, Namíbia, Tanzânia e Quênia. Alguns encontros foram memoráveis.           


O leão do Parque Nacional Kgalagadi, na África do Sul, com sua elegante juba preta, é um pouco diferente dos outros leões da região. Biólogos acreditam que os animais chegaram a essa mutação – uma juba mais escura que o normal – para criar uma melhor camuflagem, aproveitando a mesma cor negra dos troncos das acácias. Os leões dessa reserva de clima árido também são mais fortes. As longas distâncias percorridas em busca de presas fortaleceram as pernas dos animais durante gerações e, hoje, o majestoso felino possui um porte atlético.


Meu desejo de fotografar um leão de juba preta era tão grande que, na primeira hora, já o encontrei. Tomei um susto enorme, pois o animal estava deitado, na sombra, a apenas um metro da beira da estrada. O leão parecia estar entediado com o calor, pois nem a barulhenta marcha à ré o distraiu. Continuou dormindo – leões podem dormir 20 horas por dia – e apenas abriu os olhos para verificar a companhia. Fotografei sua juba preta – mas tudo sem ação.


Ação de verdade aconteceu no Parque Nacional Ruaha, na Tanzânia. Mesmo se o calor do meio-dia era intenso, o guia descobrira um bando de leões dormindo na sombra e fez questão de mostrá-lo. O jipe saiu da pista e entrou no mato, com cuidado para não assustar os felinos. Os leões estavam jogados no solo, como trapos sujos. Os pelos longos da juba do macho, cheios de carrapatos, pareciam um denso cachecol desconfortável.


Dentro do veículo, eu estava a apenas cinco metros do soberano das savanas. Mas nem uma batidinha com meus dedos na lataria do veículo fez o animal abrir os olhos. Parecia estar morto, mesmo se apenas de cansaço e de calor. Do outro lado do veículo, quatro leoas também estavam deitadas sobre a relva, entregues ao chão, extenuadas com a secura.


Mais por instinto do que por lógica, o guia deu uma olhada para trás do carro e viu, a apenas 20 metros, uma impala perdida. Ele teve tempo apenas para balbuciar algumas palavras avisando que havia um animal na traseira do jipe.


Em uma fração de segundo, o leão macho sentiu o cheiro, acordou, rosnou, se levantou e correu ao encontro da gazela. Colhida de surpresa, ela escolheu, infelizmente, a rota de fuga errada. Em vez de regressar pelo caminho de onde vinha, deu uma virada e foi parar no antro das leoas. As fêmeas, exímias caçadoras, despertadas pelo rugido do macho, receberam a impala de bocas abertas. Uma agarrou o cangote, outra o flanco.


Poucos segundos depois, outras duas leoas surgiram e seguraram as pernas. O macho, autor intelectual da caçada, também quis sua parte: chegou e arrancou a cabeça. Mais sete ou oito segundos e a impala foi esquartejada pelos felinos, aqueles mesmos que pareciam tão lerdos e dorminhocos.


A cena foi chocante – afinal, um antílope havia sido despedaçado. Com dezenas de viagens à África e anos de vivência no continente, eu nunca havia visto, ao vivo, o instante vital de uma caçada.


Durante um de nossos safáris fotográficos – dessa vez na Namíbia – uma amiga gaúcha não levou a sério as recomendações do staff do alojamento. Para ir do quarto ao restaurante – ou vice-versa –, era preciso ser escoltado por um guarda-parque armado. “Estão querendo impressionar os turistas, mas eu sou gaúcha, não caio nessa, não”, disse Malu Froeder. Mesmo assim, ela foi escoltada até sua cabana na hora de dormir.


Havia uma boa razão para o cuidado adicional: a apenas 30 metros, em frente ao restaurante, havia um ponto de água. Como estávamos no final da época da seca, a poça era bastante utilizada por animais selvagens ao entardecer e ao amanhecer.


Na manhã seguinte, Malu foi uma das primeiras a acordar. Chegou ao restaurante antes da hora do café da manhã, sem escolta. E aí teve uma baita surpresa: nove jovens leões bebiam água à beira do laguinho. Foi quando ela entendeu que a história da escolta não era piada para assustar turistas...


CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR:

AUTOR/FONTE: HAROLDO CASTRO (TEXTO E FOTOS)

Luiz Carlos Atagiba

([email protected]­m.br)

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