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31/07/2020 às 08h53

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Redação

Campo Grande / MS

Operação Pantanal II: PMA orienta e autua ribeirinhos por fogo na beira do Rio Paraguai
Fogo destruiu vegetação na beira do rio e a casa do ribeirinho: maioria alega desconhecimento das leis
Operação Pantanal II: PMA orienta e autua ribeirinhos por fogo na beira do Rio Paraguai
Foto Sílvio de Andrade

A Polícia Militar Ambiental (PMA) iniciou em Corumbá um trabalho de orientação e fiscalização nas comunidades ribeirinhas do Rio Paraguai, onde, por tradição, a queima da vegetação para limpeza do terreiro da casa ou áreas de coleta de iscas e mel é apontada como uma das causas pela propagação de incêndios de grandes proporções no Pantanal.


Em uma investida por algumas horas nas áreas que margeiam o rio, próximas a cidade, os policiais ambientais constataram uma série de irregularidades, as quais tem sido recorrentes ao longo dos anos, embora os moradores argumentem desconhecer as leis de proteção ambiental. Sinais de queima na vegetação próxima à barranca do rio são comuns.


A ação da PMA, que deve perdurar enquanto ocorrer focos de calor, faz parte da Operação Pantanal II, deflagrada no último domingo pelo Governo do Estado com o apoio das Forças Armadas para combater os incêndios no bioma pantaneiro. Além do monitoramento das áreas com finalidade repressiva, a corporação iniciará um trabalho de conscientização dos ribeirinhos.


“O trabalho de conscientização é fundamental, pode evitar muitos danos ambientais, como os que estão ocorrendo agora”, afirmou o comandante da unidade da PMA em Corumbá, capitão Diego Ferreira. Segundo ele, muitos focos de calor não se consegue identificar a origem, contudo observa que os modos tradicionais dos ribeirinhos no uso do fogo é um forte indicativo de uma das causas destes acidentes florestais.


Campanhas educativas


O 6º Distrito Naval da Marinha, com sede em Ladário, apoia a iniciativa da PMA, colocando lancha e fuzileiros navais em ações conjuntas. Para o comandante da unidade, contra-almirante Sérgio Guida, somente com um trabalho preventivo, envolvendo e conscientizando estas populações tradicionais, será possível controlar a incidência de incêndios florestais.


“A meteorologia não está a nosso favor, com previsão de uma longa estiagem, e somente vamos vencer e controlar os incêndios com a conscientização das pessoas”, disse o comandante. “Estamos em um ano atípico, o Pantanal está bastante seco, então é muito importante que as pessoas façam sua parte, pois pequenos focos podem fugir do controle e causar grandes danos”, alertou. 


A campanha de conscientização dos ribeirinhos deve envolver também os órgãos ambientais de Corumbá e Ladário e se estender durante todo o ano, sugere o tenente-coronel Huesley Paulo da Silva, que está à frente da coordenação operacional da força-tarefa de combate os focos de calor no Pantanal. “É crucial que façamos uma campanha educativa nas escolas rurais pantaneiras”, observou.


Queimada generalizada


Durante a fiscalização realizada nas margens do Rio Paraguai, a uma distância de 10 km do porto-geral de Corumbá, os policiais ambientais verificaram uma aglomeração de novas moradias, por conta da pandemia do novo coronavírus e a facilidade de acesso com a seca na região. A maioria dos moradores está usando o fogo para limpar os terrenos e fazer plantações, apesar da proibição de queima.


“A gente só recolheu as folhas e botou fogo”, justificou o pescador profissional Alfredo Ernesto dos Reis, 60, que mora há cinco anos em um casebre próximo à captação de água da cidade. Ele foi multado pela PMA e alega não ter conhecimento da proibição. Em outras moradias, a queima da vegetação é visível, com o fogo atingindo inclusive uma casa de madeira.


“São áreas de preservação permanente e serão todos autuados”, adiantou o sargento ambiental Antônio César Alves, que coordena a operação juntamente com o sargento Divino Morais e o soldado Jonys Leite Oliveira. “É comum fazer fogueira na beira do rio para espantar pernilongo e esse fogo se torna um grande incêndio. Muitos agem intencionalmente, mas outros por má fé e negligência”, comentou.

FONTE: Sílvio de Andrade

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