Sobre os brasileiros que saíram às ruas contra o senador, o ex-presidente disse que um juiz “não pode ouvir só a rua”. “A rua é importante, mas também tem a lei, tem a institucionalidade, o longo prazo. Num momento de ânimos acirrados, como nós estamos, as pessoas não pensam”, afirmou.
Para Fernando Henrique, contudo, a democracia, não está ameaçada. “Esse processo todo, na verdade, tem demonstrado que os poderes estão funcionando. Há trinta anos, estaríamos nessa altura discutindo ‘qual era o general’. E nós estamos discutindo ‘qual o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal’.”
Lava Jato
Questionado sobre as apurações da Operação Lava Jato que envolvem o PSDB, o ex-presidente fez uma série de indagações. “Pelo que vi até agora, são alegações de dinheiro para campanha. Quem recebeu? Quanto? Foi o candidato? O comitê? Um intermediário?”, perguntou. Para ele, é preciso ver “o que é veracidade”. “Tem que separar, examinar. Por enquanto não dá para dizer que as pessoas praticaram um crime. É um processo longo. Isso é que leva o Brasil a viver essa angústia em relação aos políticos. Não é o PSDB, que é dos menos atingidos”, disse na conversa – que ocorreu na quinta-feira passada, antes da divulgação da delação premiada da Odebrecht, que atingiu Temer e o PMDB.
E continuou: “O decisivo é como a opinião pública vai receber. De que maneira absorverá. Ela sabe separar? Sabe o que é caixa um, caixa dois, caixa três, o que é diretamente corrupção?”.

