10/10/2021 às 19h48
Redação
Campo Grande / MS
A pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o diretório do PT no Rio Grande do Sul decidiu mudar de estratégia e começará a atuar de forma mais incisiva contra o governador do estado, Eduardo Leite (PSDB). O político enfrenta o governador de São Paulo, João Doria, nas prévias do partido para ser o candidato tucano à Presidência da República. O entendimento no núcleo de petistas mais próximo ao Lula é de que Eduardo Leite "é o mais tranquilo dos governadores da centro-direita", tendo apresentado uma "baixíssima" rejeição nas últimas pesquisas.
O PT, contudo, deverá construir a narrativa em torno das privatizações que o político vem empenhando no estado, que já entregou à iniciativa privada a companhia de energia elétrica. A privatização da Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento) já está encaminhada e a da Sulgás já teve o edital publicado pelo governo local. Mas há o entendimento no PT de que o governador "passou incólume" das privatizações pelo suposto enfraquecimento dos sindicatos. Os petistas, porém, deverão começar a mobilização contra o governador por meio dos professores e dos aposentados.
Estes últimos tiveram uma diminuição dos valores mensais recebidos após a Assembleia Legislativa do estado aprovar a reforma da Previdência a pedido de Leite. No estado, o PT já planeja tentar retomar o nível de "ataque" vivido pelo ex-governador e ex-porta-voz de Tancredo Neves, Antônio Britto, que comandou o RS quando era filiado ao então PMDB e quando Fernando Henrique Cardoso ainda era presidente.
Na época, o então governador também investiu politicamente nas privatizações e o PT chegou a criar um adesivo, em referência às gestões de FHC e Brito, que marcou parte dos ataques ao gestor. "E aí, melhorou? Nem lá, nem aqui", dizia o slogan panfletado em referência às gestões federal e estadual. Tem crescido a preocupação no PT nacional em torno da possível candidatura de Eduardo Leite à presidência. Há o entendimento de que seria "mais fácil" enfrentar o Doria no processo eleitoral, do que o governador do RS, que possui rejeição baixa e um bom acesso no setor privado.
O fato de o PT estar preocupado com Leite, porém, pode acabar o fortalecendo nas prévias do PSDB, onde Leite conta com uma forte articulação do deputado federal Aécio Neves (MG). No Twitter, Eduardo Leite respondeu diretamente a Lula: "Obrigado Lula por estar preocupado comigo. Você tem razão nesse ponto. Estamos crescendo porque vamos unir o Brasil. Pacificaremos o país que dividiram ao insistirem nessa visão de mais destruir do que construir."
FONTE: Uol
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