04/01/2017 às 13h45
Redação
Campo Grande / MS
Embora o presidente Michel Temer diga oficialmente que o governo se mantém neutro na disputa pelo comando da Câmara dos Deputados, seus auxiliares com melhor trânsito partidário atuam para esvaziar as candidaturas vinculadas ao Centrão e descartam apoiar os nomes do bloco informal que se apresentaram até o momento.
O Palácio do Planalto não pretende dar aval aos deputados Rogério Rosso (PSD-DF) e Jovair Arantes (PTB-GO) – ex-aliados do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – mesmo se a candidatura do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), for barrada no Supremo Tribunal Federal (STF).
Rosso, que tem sido tratado com deferência por Temer, não conta, porém, com a adesão do próprio PSD, partido que, nos bastidores, apoia Maia. A avaliação é de que o deputado do Distrito Federal se lançou por sua conta e risco. Em conversas reservadas, auxiliares do presidente consideram que ele pode desistir do páreo.
A leitura no governo é de que o agrupamento partidário perdeu força após a cassação e prisão de Cunha, acusado de envolvimento em desvios na Petrobrás. Para o Planalto, o bloco informal nunca foi homogêneo e atuaria na Câmara mais como um grupo de pressão do baixo clero do que focado nas reformas planejadas para 2017.
Rosso e Jovair também são considerados nomes que não aglutinam a base aliada. Na hipótese de Maia ser impedido de assumir um segundo mandato, circula no primeiro escalão uma “lista de emergência” com os nomes alternativos: Heráclito Fortes (PSB-PI), Marcos Montes (PSD-MG), Antonio Imbassahy (PSDB-BA) e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
O Solidariedade e o candidato do PDT, André Figueiredo (CE) – o único da oposição até o momento –, questionam no STF a possibilidade de o atual presidente da Casa tentar renovar o mandato. O pedido se baseia em parecer da assessoria jurídica da própria Câmara que defende o veto à reeleição de presidentes-tampão dentro da mesma legislatura. O parecer foi emitido em julho, antes da eleição do deputado do DEM. Maia, por sua vez, alega que o texto constitucional não inclui os mandatos-tampão. O Supremo não deve se manifestar antes da eleição na Casa, marcada para o dia 2 de fevereiro.
Nesta terça-feira, Rosso e Jovair propuseram a realização de debate entre os postulantes ao comando da Casa. O objetivo é forçar o Maia a assumir publicamente sua candidatura. “O povo brasileiro precisa conhecer quem são os candidatos e quem o Parlamento, com toda a soberania que tem, vai escolher”, disse Rosso, que protocolou ofício pedindo que a TV Câmara realize um encontro entre deputados que disputam o cargo.
“O debate é importante, porque nós vamos estar elegendo não só o presidente da Casa, mas o vice-presidente da República na linha sucessória. A sociedade tem que saber o que o presidente que vai assumir a partir do dia 2 de fevereiro pensa”, afirmou Jovair.
Apesar de desestimular as candidaturas dos nomes do Centrão, o Planalto quer evitar conflitos com o grupo, que reúne cerca de 200 deputados. Temer pretende fazer uma reforma ministerial enxuta, mas já indicou que poderá usar a Esplanada para acomodar aliados “feridos” após a eleição que renovará o comando da Câmara e do Senado. Se depender do presidente, as mudanças somente serão feitas depois que o ministro do STF Teori Zavascki, relator da Lava Jato na Corte, homologar as delações de executivos e ex-diretores da Odebrecht, provavelmente em meados de fevereiro ou março.
A intenção é evitar “surpresas” desagradáveis, já que o governo não quer correr o risco de nomear alguém que esteja citado nas colaborações.
FONTE: Com Estadão Conteúdo
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