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Saúde

03/09/2022 às 10h06 - atualizada em 03/09/2022 às 10h13

Redação

Campo Grande / MS

Sete em cada dez crianças aptas não foram vacinadas contra a pólio
De acordo com o Ministério da Saúde, pouco mais de 32% das crianças entre 0 e 5 anos receberam ao menos uma dose do imunizante que previne a poliomielite
Sete em cada dez crianças aptas não foram vacinadas contra a pólio
Foto Arquivo

Desde o dia 8 de agosto, o Ministério da Saúde faz uma campanha de multivacinação de crianças e adolescentes com o objetivo de melhorar os índices de cobertura vacinal no país, que estão em queda desde 2016.


O público alvo da ação são as 11.572.563 crianças 0 a 4 anos e 11 meses, e o imunizante aplicado em todas elas atua contra a poliomielite.


Todavia, os dados do DataSUS (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde) mostram que a adesão não é animadora.


Na sexta-feira (2), o estado de Roraima informou que investiga um caso suspeito de pólio. Se confirmado, seria o primeiro no país em mais de 30 anos. 


Faltando uma semana para o fim da campanha, que será no dia 9 de setembro, apenas 3.766.643 doses foram aplicadas, o que representa 32,55% dos indivíduos aptos a serem imunizados.


Vale o lembrar que a recomendação desta ação é que 100% da faixa etária mencionada receba a dose da vacina contra a poliomielite. 


"A vacinação contra a pólio é uma campanha indiscriminada e independente da carteira de vacinação. Portanto, todas as crianças devem ser vacinadas", explica a epidemiologista Carla Domingues, que coordenou o PNI (Programa Nacional de Imunização) até 2019. 


Na divisão por idade, os índices de cobertura vacinal são:


- Até 1 ano: 939.331 doses aplicadas de 2.730.050 esperadas - 34,41% de cobertura


- 2 anos: 905.224 doses aplicadas de 2.954.887 esperadas - 30,63% de cobertura


- 3 anos: 950.375 doses aplicadas de 2.969.319 esperadas - 32,01% de cobertura


- 4 anos: 971.713 does aplicadas de 2.918.307 esperadas - 33,30% de cobertura


As grandes campanhas de vacinação são organizadas para que os órgãos de saúde consigam atualizar a carteiras de vacinação de crianças e adolescentes. Um imunizante específico é usado como chamariz, mas todos os outros aplicados pelo SUS ficam disponíveis para a população. 


"Quando fazemos uma campanha de vacinação, nós buscamos a atualização das carteiras de vacinação para todas as doenças evitáveis com vacina", orienta a epidemiologista.


O Brasil é reconhecido internacionalmente como um país modelo quando o assunto é a cobertura vacinal.


Para o diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) e da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), Renato Kfouri, a população segue confiando nos imunizantes e isso foi confirmado nos índices da imunização da Covid-19. 


"Quando falamos muito de uma doença ou há surtos, as pessoas querem vacinar. Como aconteceu com a Covid agora, nos surtos de febre amarela e sarampo há três anos. O problema é que passa a onda, passa a epidemia todo mundo deixa de fazer a vacina de maneira rotineira", lamenta o pediatra.


Ele vê o sucesso das vacinas como uma das causas para a queda dos índices.


"Um pano de fundo comum a todos os locais do Brasil é baixa a percepção de risco. O próprio sucesso que as vacinas fazem, elas eliminam as doenças, e as pessoas já não se sentem ameaçadas. É só ter um caso de meningite na escola de uma família, que todo mundo sai correndo nos postos para se vacinar. Infelizmente, é a percepção do risco que nos move em direção à prevenção."

FONTE: Portal R7

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