30/03/2023 às 10h57
Redação
Campo Grande / MS
Nesta quinta-feira (30), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não vai fazer “o que bem quer do futuro da nossa nação”. Bolsonaro falou com deputados, senadores e lideranças nesta manhã logo após chegar ao Complexo 21, no centro de Brasília, onde se reunirá com políticos do PL. O ex-presidente desembarcou pela manhã na capital federal após quase três meses nos Estados Unidos.
– Eu lembro lá atrás que quando alguém criticava o Parlamento, o Ulysses Guimarães dizia: “Espere o próximo”. Dessa vez o próximo melhorou muito. O Parlamento está nos orgulhando, pela forma de se comportar, de agir lá dentro, fazendo realmente o que tem que ser feito, e mostrando para esse pessoal aqui, por ora e que no pouco tempo que está no poder, não vão fazer o que bem quer do futuro na nossa nação – discursou Bolsonaro.
O ex-presidente disse também que, a partir de agora, vai receber e conversar com muita gente. Destacou ainda se tratar de uma tremenda responsabilidade, e ponderou que o “nosso chefe é o Valdemar [Costa Neto]”.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que tanto Bolsonaro como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro vão trabalhar agora com o objetivo de fortalecer o partido para as disputas municipais de 2024, antessala da eleição presidencial de 2026. A ideia é que Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, que assumiu o comando do PL Mulher, comecem a viajar pelo país no segundo semestre, mas não juntos.
Bolsonaro, no discurso, disse que a meta é conseguir que PL e PP elejam 60% das prefeituras em 2024.
O ex-presidente vai passar a despachar diretamente do escritório do PL, na região central de Brasília, e receber aliados políticos. O objetivo desenhado pelo partido é fortalecer a oposição ao governo. Na fala que fez aos parlamentares, Bolsonaro prometeu empenho pela oposição e pelo PL. Ao dizer que o “chefe aqui é o Valdemar”, mandou um recado à ala da legenda que quer negociar com Lula em troca de votos no Congresso, de acordo com integrantes da sigla.
A primeira pauta é defender a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro como estratégia para desgastar o Planalto e culpar o governo pela invasão à sede dos Três Poderes em Brasília, apesar de o ato ter sido organizado e executado por apoiadores de Bolsonaro. A ordem no PL é não dar “sossego” para Lula e manter os militantes ativos em torno da figura do casal Bolsonaro. No encontro, nem o ex-presidente nem a ex-primeira-dama fizeram menção ao escândalo das joias trazidas ilegalmente ao Brasil, caso revelado pelo Estadão.
Após sua fala, os políticos presentes gritaram “mito, mito, mito” e “ô, o capitão voltou”. Houve ainda uma sessão de fotos. Estavam presentes também os deputados Helio Lopes, Nikolas Ferreira, Bia Kicis e Paulo Bilynskyj, e os senadores Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira, Damares Alves, Marcos do Val e Rogério Marinho.
Carro blindado
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que, após o anúncio de sua volta ao Brasil, a Casa Civil do governo federal retirou dois carros blindados a que ele tinha direito.
– Até segunda-feira [dia 27 de março], eu tinha direito a dois carros blindados. Após o anúncio da chegada aqui, a Casa civil retirou os carros blindados – disse.
Bolsonaro reconheceu que não há uma regra que estabeleça que o governo deve conceder esses veículos blindados, mas declarou que vai solicitá-los novamente à Casa Civil. Aos aliados, o ex-presidente disse estar preocupado com possíveis riscos, principalmente em meio a um momento em que foi revelado que o PCC planejava atacar autoridades.
– Eu não tenho peito de aço. Eu vou tentar buscar um carro blindado pra mim. Agora, não é uma atitude racional por parte desse governo – declarou.
*AE
FONTE: Pleno.news
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