Em sua análise, o autor afirma que, de fato, “a evidência apresentada confirma a hipótese que o desempenho econômico brasileiro é determinado, quase que totalmente, pelo conjunto de falhas nacionais”.
O autor considera marginal o efeito da conjuntura internacional sobre esse desempenho. Para ele, é falso o argumento de que o cenário externo foi determinante para o que chamou de a “desastrosa evolução da renda no governo Dilma”. Entre 2011 e 2016, a economia mundial cresceu 3,4% (número parecido à taxa média de 3,5% entre 1980 e 2016), enquanto a economia brasileira cresceu 0,2% (distante, de acordo com o autor, da média de 2,4% no período em análise).
“Portanto, a responsabilidade pode ser quase que integralmente atribuída ao déficit de governança, ou seja, à própria inépcia do governo Dilma, supondo a estabilidade das falhas de mercado e de modelo.” Ainda de acordo com Gonçalves, a evidência é conclusiva “de que a renda brasileira no governo Dilma tem um desempenho medíocre comparativamente aos outros governos brasileiros e ao resto do mundo”. Para ele, “a economia brasileira ‘anda para trás’ e a responsabilidade pode ser atribuída, fundamentalmente, às falhas de governo”.
Saída
Na conclusão do estudo, Gonçalves escreve que o país precisa reduzir as falhas de mercado e de governo. “Enquanto não houver mudança de modelo o país está condenado à trajetória de instabilidade e crise. Não bastam ‘reforminhas’ na conhecida tradição política brasileira de ‘conciliação e reforma’. Correções marginais de falhas de mercado (dominação financeira, cartéis etc.) e de falhas de governo (política fiscal, cambial, monetária etc.) são incapazes de tirar o país da atual trajetória de instabilidade.”
Procurada pela reportagem da VEJA, Dilma disse que não comentaria o estudo.

