15/04/2017 às 13h11
Redação
Campo Grande / MS
As obras no sítio de Atibaia, apontado como uma das peças chaves na investigação contra o ex-presidente Lula, foram feitas com notas frias negociadas pelo próprio advogado do líder petista, Roberto Teixeira. A reforma no imóvel foi pedida pela ex-primeira-dama Marisa Letícia diretamente a Odebrecht, que gastou no local R$ 1 milhão para um serviço inicialmente orçado em R$ 500 mil. Para evitar suspeitas sobre o trabalho que era feito no local, a empreiteira orientou seus funcionários a não usarem uniforme e todo o material comprado em lojas da região foi pago com dinheiro vivo.
As informações constam do relato, em delação premiada, do ex-diretor de Relações Institucionais da empreiteira, Alexandrino Alexancar, responsável por acompanhar as obras no sítio. Depois de explicar os detalhes da operação que levaram à empreiteira a assumir a reforma no imóvel, Alexandrino disse que, ao fim dos trabalho, foi chamado por Teixeira para “formalizar” o processo. “Aparece um pessoal de engenharia, constrói a coisa, foi embora. E essa conta, como aparece”, disse Teixeira, segundo relato do ex-diretor da empreiteira. Ainda segundo o delator, as notas fiscais foram forjados de forma a se “encaixar no perfil” de Fernando Bittar, oficialmente proprietário do imóveis. “Tudo foi feito de forma escalonada, para que não suspeitasse: como o Fernando (Bittar) pagou essa conta?”.
Com a justificativa de que o envolvimento da Odebrecht na reforma provocaria uma “sensibilidade”, uma vez que se tratava de um sítio que seria usado pelo presidente Lula, Alexandrino disse que orientou seus funcionários.
FONTE: Joédson Alves EFE