09/11/2023 às 10h33
Redação
Campo Grande / MS
O ex-chanceler brasileiro Celso Amorim (foto) repetiu críticas à ação de defesa de Israel, que sofreu o pior ataque terrorista da sua história há um mês. Foi na Conferência Humanitária Internacional pela População de Gaza, realizada em Paris sob a liderança do presidente francês Emmanuel Macron.
Amorim, que chegou a defender em livro o papel do Hamas na região e a responsabilizar Israel pelos ataques sofridos, classificou a ação militar israelense em seu pronunciamento como “genocídio”, a mais grave acusação imaginável contra um país. Para o assessor especial de Lula para assuntos internacionais, Israel usa “força indiscriminada contra civis”, o que na verdade foi feito pelo Hamas em 7 de outubro, quando mais de 1.400 inocentes, em sua grande maioria civis, perderam as vidas.
Amorim reivindicou um cessar-fogo unilateral, sem explicitar contrapartidas do Hamas, o que vem sendo negociado pelas centrais de inteligência americanas. Não se ouviu qualquer repreensão ao papel do Irã no financiamento e apoio ao terrorismo islâmico na região.
A diplomacia lulista se coloca mais uma vez hostil às posições de Israel, única democracia da região e verdadeira vítima dos ataques terroristas, com possíveis consequências negativas no processo de libertação de reféns brasileiros do Hamas.
Ontem, o embaixador de Israel no Brasil disse que “tem gente que ajuda o Hezbollah no Brasil“, em referência a outro grupo terrorista financiado pelo Irã.
Leia a íntegra do pronunciamento de Celso Amorim:
Gostaria de agradecer ao Presidente Macron por convocar esta reunião.
Nas palavras do Presidente Lula, “inocentes não podem pagar pela insanidade da guerra”.
Enquanto faço este discurso, continuamos aguardando ansiosos a saída dos brasileiros de Gaza.
A ação internacional em favor da população civil de Gaza é urgente.
O Brasil está contribuindo nas áreas de segurança alimentar e saneamento de água em Gaza.
Tendo fornecido à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) um total de US$ 20 milhões entre 2006 e 2016, estamos determinados a retomar nosso compromisso com a agência.
Uma contribuição financeira simbólica à UNRWA está sendo feita imediatamente. Uma contribuição mais substancial está sendo preparada e será anunciada em breve.
Um cessar-fogo humanitário é essencial.
Passagens seguras e desimpedidas para a entrada de ajuda humanitária em benefício de hospitais, escolas e creches devem ser respeitadas.
A saída dos feridos deve ser garantida.
É profundamente perturbador que quase cem membros da equipe da ONU tenham perdido a vida em Gaza.
Reitero a condenação do Brasil aos ataques terroristas contra o povo israelense e a tomada de reféns.
No entanto, tais atos bárbaros não justificam o uso de força indiscriminada contra civis.
A morte de milhares de crianças é chocante. A palavra genocídio inevitavelmente vem à mente.
Isso não é apenas uma guerra entre o Hamas e Israel. Isso faz parte de um conflito maior, de 75 anos, cuja raiz é a ausência de um lar seguro para o povo palestino.
O reconhecimento de um Estado palestino viável, vivendo lado a lado com Israel, com fronteiras seguras e mutuamente reconhecidas, é a única solução possível.
Esta crise é provavelmente um dos desafios mais perigosos para a paz e segurança internacionais, com o maior potencial de se espalhar para um conflito global.
O Brasil considera que uma conferência diplomática onde uma solução política possa ser promovida, com a participação de um grande número de Estados, nos moldes da Conferência de Anápolis, é indispensável.
FONTE: Alexandre Borges
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