24/11/2023 às 15h53
Redação
Campo Grande / MS
Após a reação desproporcional de integrantes do Supremo Tribunal Federal à aprovação, no Senado, da PEC que limita as decisões monocráticas na Corte, o presidente Lula indicou a ministros que deve acatar as sugestões do Tribunal e escolher Paulo Gonet para a Procuradoria-Geral da República e Flávio Dino, ministro da Justiça, para o lugar de Rosa Weber.
A indicação de ambos é vista como uma forma de apaziguar os ânimos com o Supremo em meio à crise gerada pelo Senado. A base do PT rejeita ambos, por entender que isso aumentaria, ainda mais, o poder de atuação do Tribunal.
Lula falou sobre as possíveis indicações de Gonet e Dino durante um jantar com os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Alexandre Zanin. A informação foi divulgada por O Globo e confirmada por O Antagonista.
O jantar durou aproximadamente duas horas e ocorreu no Palácio da Alvorada. Na conversa, os ministros, conforme apurou este site, voltaram a reclamar da atuação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT) na votação da PEC. Eles externaram a Lula que o voto de seu líder era um sinal de que o próprio Palácio tinha endossado a proposta. Lula, por sua vez, disse que também foi “pego de surpresa” com a atuação do correligionário.
Ao longo da quinta-feira, ministros enviaram recados ao Palácio, alegando estarem sendo “traídos” pelo Poder Executivo, ainda mais depois dos atos de 8 de janeiro. Havia uma insatisfação no Tribunal, baseada no sentimento de que o STF concedeu medidas que favoreceram o governo Lula, mas o Poder Executivo não vinha sendo recíproco.
Além disso, durante as conversas de ontem, os ministros reafirmaram que o governo Lula tem problemas sérios de articulação política. O próprio presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, vinha dando sinais de falhas na interlocução do Tribunal com o Planalto.
Durante o jantar, Lula disse aos ministros que Dino e Gonet devem ser indicados em um “futuro próximo”. A data ainda não foi definida.
A indicação de Gonet é a retribuição de Lula a Gilmar pelos “serviços prestados” contra a Lava Jato.
FONTE: O Antagonista
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