24/06/2024 às 08h46
Redação
Campo Grande / MS
Já faz um ano e meio que Roberto Campos Neto, presidente do BC, é demonizado por Lula e pelo PT.
Voltou a acontecer na sexta-feira, 21, durante uma entrevista no Maranhão. Lula chamou o economista de “adversário político, ideológico e do modelo de governança que nós fazemos”.
Ele insiste em fazer de conta que as decisões do BC sobre juros são produto da vontade imperial de Campos, e não da análise de um colegiado, que tem quatro diretores indicados pelo próprio Lula e trabalha com modelos econômicos bastante complexos.
Essa é uma mentira que já foi analisada por todos os ângulos possíveis – político, econômico, psicológico. História velha e cansativa.
Só volto a ela hoje porque a entrevista também trouxe uma defesa do ministro das Comunicações Juscelino Filho (União-MA), recentemente indiciado pela PF por suspeitas de corrupção, desvio de dinheiro público.
Lula disse que está feliz e orgulhoso com seu gabinete e citou nominalmente o político encrencado.
Ele repetiu um raciocínio espantoso, de que parece se orgulhar muito (caso contrário, não o repetiria). Afirmou que diante de denúncias graves, chama aliados para uma conversa: “Eu chamo eles na minha sala e falo o seguinte: ‘Olha, a verdade absoluta só você quem sabe. Ninguém sabe. É você e Deus, e eu quero que você me diga. Você fez, ou não fez? Se você fez, meu caro, peça licença e vá embora. Se não fez, brigue. Brigue”‘
Esse é um raciocínio inaceitável para uma autoridade. Se um ministro é acusado de roubar, a sua consciência e as suas preces são o que menos interessa aos cidadãos.
Interessam os fatos e o trabalho das instituições – a polícia, o Ministério Público, o Judiciário. Interessa perceber que o interesse público se sobrepõe às conveniências pessoais.
A demonização de Campos Neto e a complacência com Juscelino Filho formam um contraste chocante. São o retrato de um homem que enxerga o mundo e as pessoas por uma única lente: como podem me ser úteis?
Se Lula não consegue controlar o presidente do Banco Central, porque a autonomia da instituição impede que ele o demita, Lula mente sobre o seu trabalho e o trata como um monstro.
Inversamente, demitir Juscelino Filho não convém a Lula, porque dificultaria o seu relacionamento com o União Brasil, um partido grande.
Por isso ele o trata como um bom menino, mesmo que ele seja acusado de crimes reais e não apenas de ver o mundo de maneira diferente da sua. Vai segurá-lo até que o ônus seja maior do que o bônus.
FONTE: Carlos Graieb
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