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03/01/2025 às 09h38

Redação

Campo Grande / MS

Como Kiev busca virar o jogo usando Guerra Psicológica
Ucrânia tem investido em uma campanha de guerra psicológica, buscando sobretudo minar a moral dos combatentes
Como Kiev busca virar o jogo usando Guerra Psicológica
Foto Divulgação

A guerra na Ucrânia trouxe um inesperado elemento ao campo de batalha: tropas norte-coreanas. Estima-se que até 12 mil soldados foram enviados para apoiar as forças russas. Em resposta, a Ucrânia tem investido em uma campanha de guerra psicológica, buscando sobretudo minar a moral dos combatentes. O nome desse audacioso projeto é “Eu Quero Viver”.


A iniciativa inovadora, liderada pelo serviço de inteligência ucraniano, combina propaganda, ofertas de abrigo e segurança para desertores.


O projeto “Eu Quero Viver” e a campanha psicológica na Guerra da Ucrânia


Desde o início do conflito, a Ucrânia utiliza estratégias de guerra psicológica para desestabilizar as tropas adversárias. A chegada de soldados norte-coreanos abriu um novo foco para essas táticas. Com folhetos e vídeos em coreano, o projeto “Eu Quero Viver” detalha como os soldados podem desertar com segurança. Essas instruções incluem instruções claras, como deitar no chão com o rosto virado para baixo e levantar um lençol branco.


O programa, que já persuadiu cerca de 350 soldados russos a se renderem, agora oferece aos norte-coreanos comida, abrigo e proteção como prisioneiros de guerra. Apesar de ser uma estratégia ousada, sua eficácia enfrenta obstáculos devido à doutrinação rígida do exército de Pyongyang.


Uma aliança estratégica: Rússia e Coreia do Norte


A presença de tropas norte-coreanas no conflito reflete uma parceria crescente entre Moscou e Pyongyang. Em troca do envio de soldados, a Rússia prometeu caças e outros equipamentos militares à Coreia do Norte, consolidando um acordo de assistência mútua firmado em junho de 2024.



Soldados norte-coreanos participam de uma demonstração durante o treinamento das unidades de combate aéreo e anfíbio do Exército Popular da Coreia. Foto: Divulgação

De acordo com especialistas, como Cho Han-bum, do Instituto Coreano para Unificação Nacional, a moral baixa é prevalente entre os combatentes norte-coreanos. Muitos foram mobilizados sem justificativa clara, o que, segundo Han-bum, pode comprometer sua eficiência no campo de batalha. Essa vulnerabilidade é o principal alvo das estratégias psicológicas de Kiev.


A influência da Coreia do Sul no conflito

A Coreia do Sul desempenha um papel importante no apoio à Ucrânia. Observadores militares sul-coreanos estão na Ucrânia para estudar o comportamento das tropas norte-coreanas e auxiliar na formulação de estratégias mais eficazes. O presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol afirmou que essa cooperação inclui principalmente o compartilhamento de inteligência e o desenvolvimento de táticas conjuntas.


De acordo com David Maxwell, ex-coronel das Forças Especiais dos EUA, drones e alto-falantes podem ser usados para distribuir mensagens diretamente aos soldados norte-coreanos, principalmente durante períodos de inatividade. No entanto, a rígida doutrinação ideológica desses combatentes levanta dúvidas sobre a eficácia dessas abordagens.


Enquanto isso, a presença desses combatentes no campo de batalha não apenas reforça os laços entre Moscou e Pyongyang, mas também desafia os aliados da Ucrânia a formular respostas estratégicas que considerem as complexidades culturais e ideológicas envolvidas.

FONTE: Robson Augusto

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