Se as projeções do Banco Central se confirmarem, o Brasil pode registrar em junho, segundo o Boletim Focus, uma queda de 0,07% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) – o que seria a primeira deflação para este mês desde 2006. No entanto, na avaliação do economista e professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Heron do Carmo o índice de preços costuma cair em junho devido à sazonalidade de produtos agrícolas e, portanto, a queda generalizada dos preços não deve se sustentar por um período mais longo.
“Vivemos uma conjunção de fatores que contribuem para essa deflação, como a diminuição dos preços administrados, por exemplo. Mas esse cenário não irá permanecer, e é isso que distingue um processo deflacionário de uma queda episódica de preços”, ele destaca.
O consumidor que mais se beneficia com a queda da inflação é aquele que consome itens básicos, como alimentos, aponta o professor. “A deflação traz um benefício significativo para aquela parcela da população de baixa renda que paga o ‘imposto inflacionário’, que não tem condições de aplicar seu dinheiro (e protegê-lo), tendo seus gastos concentrados em itens de primeira necessidade”, afirma.
Salários
Em relação ao reajuste de salários, segundo especialistas, há um movimento de correção. Em anos anteriores, eles subiram acima do aumento dos preços e, agora, com os indicadores desacelerando, o reajuste deve ser menor, especialmente no terceiro trimestre – o que tende a levar a inflação ainda mais para baixo. “O choque nos preços dos alimentos, somado ao reajuste menor dos salários tem um efeito inercial positivo sobre a inflação”, diz Carlos Kawall, economista-chefe do Banco Safra. “Quando o mercado estava aquecido, havia aumentos reais. Agora, a ênfase está na garantia do emprego.”

