06/04/2025 às 20h37
Redação
Campo Grande / MS
Os desertos da Península Arábica já passaram por repetidos momentos verdejantes. Uma dessas eras foi um período de grandes chuvas há 9 mil anos, que resultou na formação de rios e lagos onde hoje só há areia e pedras. Uma nova pesquisa mostrou que as paisagens do Rub’ al-Khali, um dos maiores e mais secos desertos do mundo, foram moldadas por um passado cheio de corpos hídricos.
Para os cientistas, mapear com precisão como as monções africanas – chuvas intensas e sazonais – influenciaram a evolução da paisagem e a dinâmica da ocupação humana na Arábia é um desafio. Na pesquisa, a equipe utilizou dados da geologia do local para reconstruir a paisagem esculpida pela água.
O grupo constatou que durante o ápice do Período Úmido do Holoceno, entre cerca de 11 e 8 mil anos atrás, chuvas intensas inundaram as planícies e preencheram uma depressão de aproximadamente 1.100 km². Ela acabou rompendo e esculpiu um vale profundo de cerca de 150 km de comprimento.
“A formação de paisagens lacustres e fluviais, juntamente com as condições de pastagens e savanas, teria levado à expansão de grupos de caçadores e coletores e de populações pastoris no que hoje é um deserto seco e árido”, disse o professor Michael Petraglia da Universidade Griffith, em um comunicado.
Arábia tinha chuvas mais fortes do que se pensava
A análise de depósitos sedimentares de rios e da chuva indicou que essas partículas viajaram por distâncias de até 1000 km, vindos das Montanhas de Asir.
Os resultados desafiam a visão convencional da comunidade cientifica de que após as chuvas a paisagem se estabilizou de forma simples. A equipe examinou o relevo e seus componentes para demonstrar que a monção africana foi forte e persistente para esculpir de forma drástica o relevo, levando sedimentos por centenas de quilômetros e gerando um grande vale.
Após um período verdejante, o local começou a secar. “Há 6.000 anos, o Rub’ al-Khali sofreu um forte declínio nas chuvas, o que pode ter criado condições secas e áridas, forçando as populações a se mudarem para ambientes mais hospitaleiros e mudando o estilo de vida dos agrupamentos nômades”, conclui o professor Petraglia.
FONTE: Samuel Amaral
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