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11/04/2025 às 09h18

Redação

Campo Grande / MS

Diante do último silêncio
Dartagnan da Silva Zanela
Diante do último silêncio
Foto Arquivo

Estamos todos, cada um com seu passo, no seu ritmo, rumando para alguma direção que acreditamos ser a mais apropriada para realizarmos os nossos anseios, pouco importando quais sejam eles. E, independentemente das razões que fazem o nosso coração bater mais acelerado, impelindo o nosso caminhar, há uma coisa todos nós temos em comum: estamos todos, como nos lembra Martin Heidegger, rumando em direção à morte.
Sim, Cristo venceu a morte carregando o pesado fardo dos nossos pecados, mas Ele rumou na direção dela, abraçou-a, aceitou-a com mansidão, ensinando-nos a fazer o mesmo com a nossa vida.
Eu sei, todos nós sabemos, que é uma obviedade ululante que um dia teremos de encarar esse momento; estamos todos cientes dessa realidade, mas não queremos nem saber de tomar consciência disso.
Por isso, muitas e muitas vezes, vivemos a nossa vida como se não houvesse amanhã. Corremos atrás da realização de planos e projetos, muitas vezes de caráter duvidoso, como se a vida pudesse ser resumida na satisfação dos nossos desejos; como se não existissem consequências que estão para além da efemeridade da vida temporal.
De forma tola, incontáveis vezes ignoramos a morte, como se tal atitude desdenhosa fizesse com que ela, num passe de mágica, desaparecesse.
É por essa razão que Sêneca, e incontáveis outros sábios, afirmavam categoricamente que filosofar é meditar sobre a morte, porque é apenas diante dela que temos a real dimensão da vida humana e do sentido da existência.
Seguindo pelo mesmo trilho, Santo Afonso de Ligório ensina-nos que todo cristão deveria meditar e refletir sobre a sua própria morte, porque é diante do seu limiar que poderemos ter um vislumbre claro e inequívoco daquilo que iremos reverberar pela eternidade.
Por isso, quando estamos próximos da Paixão de Cristo, temos uma ocasião propícia para refletirmos sobre a nossa vida; reflexão essa que deve ser feita à luz da imagem de Nosso Senhor crucificado; meditação essa que deve partir das dores vilmente impingidas a Jesus Cristo, diante dos agônicos olhos de sua Santíssima Mãe.
Ao fazermos isso, ao nos colocarmos em nosso devido lugar diante do Infinito e frente ao Eterno, quem sabe, enfim, aprendamos que não são os nossos caprichos que devem ocupar o centro da nossa vida.
*O autor, Dartagnan Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO", entre outros livros

FONTE: Dartagnan da Silva Zanela

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