16/05/2025 às 09h01
Redação
Campo Grande / MS
Antes refratários a uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o roubo de aposentadorias, integrantes da base governista começam a mudar de ideia e pretendem fazer acenos à investigação.
Na visão de integrantes da base governista, a instalação da CPMI tende a ser inevitável. Principalmente se os parlamentares bolsonaristas acionarem o Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), a instalar a investigação. Esse expediente foi utilizado por aliados de Lula na época da CPI da Covid.
Ontem, 15, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) assinou, o requerimento de criação da CPMI. O movimento foi calculado. Ele é o único congressista do PT a subscrever a investigação.
“Fraudar aposentados e pensionistas é um crime inaceitável, de uma crueldade imensa contra aqueles que trabalharam para construir este país. Por isso, faço coro por uma investigação contundente, que traga punição exemplar para todos os responsáveis, doa a quem doer”, afirmou Contarato no X (antigo Twitter), ao anunciar que assinou o pedido.
O que está em jogo na CPMI do roubo de aposentadorias?
Por tradição, como se trata de uma investigação mista, a tendência é que a presidência do colegiado fique a cargo do autor do requerimento: no caso ou a senadora Damares Alves (foto, Republicanos-DF) ou a deputada Coronel Fernanda (PL-MT). Se a CPMI for presidida por um senador, a relatoria ficaria com um deputado e vice-versa.
Na CPMI do 8 de janeiro, por exemplo, a presidência ficou com o deputado Arthur Maia (União-BA) e a relatoria com a senadora Eliziane Gama (PSD-MA).
A ideia dos congressistas da base é fazer um acordo – com as bênçãos de Alcolumbre – de ficar com a relatoria da comissão, função essa que determina diligências e estabelece o plano de trabalho, já que a presidência estará nas mãos de parlamentares bolsonaristas.
Assim, surgem opções como a indicação do próprio Contarato, que apesar de ser petista é bem relacionado com parlamentes da oposição. Contarato é ex-delegado de política e isso pesaria a seu favor. Outra possibilidade seria a indicação da deputada Tabata Amaral (PSB), tida como moderada.
Os bolsonaristas, no entanto, querem ficar com a relatoria do colegiado e até topariam abrir mão da presidência da CPMI em nome de um parlamentar de centro, de siglas como MDB, PSD entre outras.
Dentro do PT, no entanto, houve bate-boca no grupo de WhatsApp do partido nesta semana para discutir se os parlamentares iriam apoiar ou não a CPMI.
Alguns deputados da sigla classificaram como inadmissível apoiar uma investigação proposta por Damares Alves; outros, no entanto, ponderaram que se opor à investigação daria um sinal à sociedade de que o partido é leniente com o roubo de aposentadorias e pensões.
FONTE: Wilson Lima
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