17/05/2025 às 09h10
Redação
Campo Grande / MS
A nova campanha do PT nas redes sociais para sobre as fraudes no INSS não emplacou. Com cinco vídeos publicados nesta semana no perfil oficial do partido no X, a série intitulada “Verdade sobre o INSS” teve números baixos de audiência até a manhã deste sábado: o primeiro vídeo alcançou apenas 4,4 mil visualizações; o segundo, 2,5 mil; o terceiro, 2,2 mil; e o quarto, apenas 1,6 mil. No Instagram, o vídeo mais visto somava 63 mil visualizações — ainda distante de qualquer viralização. A campanha tenta responsabilizar o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelas irregularidades identificadas no INSS e isentar a culpa da gestão Lula.
Cada episódio aborda um aspecto das acusações: congelamento de benefícios, descontos indevidos na folha de pagamento, aumento das fraudes durante o governo anterior e envolvimento de chefias do INSS em esquemas ilícitos. A narrativa do PT é que a gestão Lula atua agora para reparar os danos e proteger os aposentados.
O esquema no INSS foi revelado pelo repórter Luiz Vassalo, cujas reportagens geraram investigações de auditores concursados da Controladoria-Geral da União (CGU) e agentes da Polícia Federal (PF).
Os casos surgiram em 2019, sob o governo de Jair Bolsonaro, e aumentaram exponencialmente quatro anos depois, sob o governo Lula. No total, 6 milhões de pessoas vinham sendo descontadas mensalmente em seu salário de aposentadoria, a maioria sem consentimento, comprometendo ao todo R$ 6,3 bilhões. Os descontos só foram alegadamente suspensos em abril de 2025.
O vídeo de Nicolas
Enquanto isso, a oposição dominou a narrativa nas redes. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou um vídeo sobre o esquema bilionário de fraudes no INSS. Em 24 horas, a publicação atingiu 100 milhões de visualizações. Até a manhã deste sábado, o vídeo acumulava mais de 5 milhões de curtidas.
Nikolas repetiu a estratégia que usou no caso Pix, quando viralizou com críticas ao governo federal. No vídeo mais recente, sugeriu que o governo Lula deveria usar “o dinheiro do povo” para devolver os valores descontados indevidamente dos beneficiários.
O vídeo do deputado, no entanto, distorce a cronologia dos fatos para poupar o governo Bolsonaro de responsabilidades sobre os desvios.
“Eu não tinha que fazer nada, não”
O tema também foi debatido nesta semana na Comissão de Transparência do Senado, em uma troca de acusações entre o novo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, e o senador Sergio Moro (União Brasil-PR).
O ministro atribuiu as irregularidades ao governo anterior, enquanto Moro criticou a demora do atual governo em responder ao problema.
O senador reforçou que, em junho de 2023, em uma reunião do Conselho Nacional de Previdência Social na qual Wolney estava presente, a conselheira Tônia Galleti citou que tinha recebido denúncias de descontos associativos não autorizados, mas o tema não foi incluído na pauta do encontro pelo então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, mesmo com pedido da conselheira naquele momento, e voltou a ser tratado apenas no ano seguinte.
“O senhor ouviu na reunião, na reunião foi informado sobre as fraudes, vossa excelência não fez nada”, disse Moro.
“Eu não tinha que fazer nada, não”, respondeu Wolney. E Moro rebateu: “Vossa excelência era pessoa de confiança de Carlos Lupi e continua no ministério”.
FONTE: O Antagonista
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