17/06/2025 às 09h25
Redação
Campo Grande / MS
A Polícia Federal concluiu o inquérito que investiga o uso ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para vigilância clandestina e indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da agência.
As conclusões dizem haver a suposta existência de uma estrutura informal de espionagem montada durante o governo Bolsonaro, apelidada de “Abin paralela”.
A investigação teve início após reportagem de o O Globo, publicada em março de 2023, revelar a compra de um software espião pela Abin. A ferramenta era utilizada para rastrear a localização de pessoas por meio da coleta de dados de celulares e antenas telefônicas, sem qualquer respaldo judicial.
Conforme a PF, o sistema foi utilizado para acompanhar ilegalmente os movimentos de autoridades dos Três Poderes, jornalistas, ex-presidenciáveis e até servidores públicos. A estrutura também teria servido para produção de dossiês e disseminação de fake news contra adversários políticos.
Segundo os investigadores, a operação da Abin paralela teria funcionado sob a supervisão de Ramagem, mas por ordem direta do então presidente Bolsonaro. A PF afirma que “houve o uso indevido da estrutura estatal para fins de interesse pessoal e político”.
Entre os alvos do suposto esquema estão os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Dias Toffoli, além do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o ex-presidente da Casa Rodrigo Maia e o ex-governador de São Paulo João Doria.
A lista de monitorados também inclui líderes de caminhoneiros e dirigentes de entidades do setor, especialmente após a greve de 2018. A PF destaca que houve um aumento significativo de acessos ao sistema espião durante as eleições municipais de 2020, o que levantou suspeitas sobre uso político da ferramenta.
O inquérito revela ainda que uma das vítimas do monitoramento ilegal seria um servidor da área de tecnologia do STF. Além disso, registros apontam vigilância em casas localizadas em áreas nobres de Brasília, região onde estão instaladas embaixadas. Os investigadores apuram se esses casos têm alguma ligação com diplomatas ou interesses internacionais.
Ao todo, mais de 30 pessoas foram indiciadas, entre elas integrantes da atual cúpula da Abin, como o diretor-geral Luiz Fernando Corrêa, o chefe de gabinete Luiz Carlos Nóbrega e o corregedor-geral José Fernando Chuy. Todos são delegados da Polícia Federal nomeados durante o governo Lula.
Agora, com a conclusão do inquérito, o caso será encaminhado ao Ministério Público Federal, que decidirá se denuncia os envolvidos à Justiça.
FONTE: Direita Online
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