25/06/2025 às 10h05
Redação
Campo Grande / MS
Depois de vários artigos publicados pela Revista Sociedade Militar sobre o movimento que já foi chamado de “êxodo dos pilotos” da FAB, o Parlamento nacional resolveu questionar a Força Aérea brasileira por que pilotos altamente qualificados estão abandonando a carreira militar na FAB para ingressar na aviação comercial. A iniciativa, a princípio pioneira, foi do deputado do PL, Gustavo Gayer, eleito por Goiás.
Com o objetivo de instruir as informações relativas ao seu requerimento de informações e, também, tendo como base os informativos veiculados pela imprensa, Gustavo Gayer relacionou, entre outros, os seguintes questionamentos:
Gayer diz ter ficado grandemente preocupado assim que tomou conhecimento das últimas notícias sobre o número crescente de pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB) que têm optado por abandonar suas carreiras nas Forças Armadas para ingressar em companhias aéreas comerciais do país.
Ele afirma que este fenômeno levanta sérios questionamentos sobre os rumos que as prioridades do Governo Federal vêm tomando em relação ao setor de defesa nacional.
Alguns números atuais da migração de militares
O Deputado direitista menciona em seu requerimento que enquanto uma das empresas de aviação que mais recebe pilotos egressos da vida militar amplia sua malha aérea, com previsão de aumento de quase meio milhão de assentos até agosto de 2025, a FAB registra perdas consecutivas de aviadores, muitos
dos quais altamente treinados e especializados em operações de caça e transporte.
Segundo Gayer, oito pilotos militares deixaram a FAB entre abril e maio de 2025. Desses, sete atuavam na aviação de transporte e um era piloto de caça.
Essa nova “turma” de transição soma-se aos seis militares experientes que saíram da FAB no fim de 2024, totalizando 14 baixas em menos de seis meses — um número suficiente para viabilizar um esquadrão operacional completo, caso todos pertencessem à mesma unidade.
Reflexo da falta de investimento na Defesa
O deputado arremata afirmando que o êxodo de profissionais altamente capacitados da FAB não pode ser visto como um evento isolado, mas sim como um reflexo de um contexto mais amplo, que revela o abandono das Forças Armadas.
Aliado a isso, adiciona ainda a falta de investimentos essenciais para a modernização e operação eficiente das instituições militares.
Gayer diz que o governo federal, ao adotar uma postura de restrição orçamentária e de baixa prioridade para o setor de defesa, compromete a capacidade da Força Aérea e, por conseguinte, a segurança e soberania do país.
A velha notícia e o alto investimento na formação
Como dito no início, a Revista Sociedade Militar publicou diversos artigos sobre a debandada de pilotos da FAB para a iniciativa privada.
Desde julho de 2023, vimos expondo essa afluência de militares altamente habilitados e incontestavelmente importantes para o concerto da defesa brasileira.
Pouco mais de 10% dos tenentes aviadores alcançarão o posto máximo de tenente-brigadeiro, e até chegar lá a nação terá investido enormes (e apenas superficialmente mensuráveis) recursos na formação desse militar.
A dificuldade em se obter dados sobre a evasão
Imaginamos ser de interesse da sociedade saber se os comandos militares estão administrando bem esse aporte gigantesco de dinheiro.
É possível que este seja o tipo de informação que os comandos militares tendam a deixar no fundo da gaveta, não só por questões de vaidade, mas também por segurança.
Não que tais dados sejam reservados ou secretos, mas sem dúvida são intrinsecamente sensíveis. Nem no Portal de dados abertos (https://dados.gov.br) é possível obter tal informação.
Números simples, mas eloquentes, sobre a evasão de pilotos da FAB (2019-2023)
A Revista Sociedade Militar fez uma pesquisa num intervalo de 4 anos. O universo dessa pesquisa foi de 253 oficiais, de 1T (primeiro-tenente) a Mj (major), entre os anos 2019-23, das seguintes especialidades Aviador (Av); Intendente (Int); Infante (Inf); Médico (Med); Engenheiro (Eng); Dentista (Den); Outros (Out).
No intervalo pesquisado (2019-23), 253 oficiais (de 1T a Mj) pediram demissão do serviço ativo da FAB. Sendo 186 1T, 57 Cp e 10 Mj. Classificados por especialidade, os números foram os seguintes:
Pela tabela 1 acima, os médicos e engenheiros lideram as baixas com quase 40% das evasões. Embora não represente muito em números absolutos, chama a atenção o número de aviadores, que somam 16% das baixas. E é muito provável que, apesar de serem poucas saídas, algum potencial comandante de Força, estivesse entre esses 41 evadidos.
A tabela 2 acima nos mostra o seguinte: há um crescendo de evadidos à medida que a idade diminui. Essa tendência é o que se espera. Majores e capitães evitam correr risco, pois normalmente já são chefes de família. Os jovens têm naturalmente menos compromissos.
Porém, na segunda parte da tabela 2 a tendência se inverte, quando se trata dos aviadores. Observamos que 40% das evasões entre os aviadores são de majores. Entre os capitães são 28%. Já entre os primeiros-tenentes (que são praticamente o triplo da soma dos dois postos superiores) apenas 11% pediram demissão.
Muitas análises podem ser extraídas desses números, que podem ser abordados sob diferentes perspectivas. Muitos direcionamentos e políticas para uma melhor administração das Forças Armadas também poderiam ser sugeridos por esses números tão simples, mas tão reveladores.
FONTE: JB Reis
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