19/07/2025 às 21h04
Redação
Campo Grande / MS
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (foto), negou neste sábado, 19, que o governo Lula esteja avaliando medidas de retaliação contra os Estados Unidos em resposta à tarifa de 50% anunciada pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.
Em nota divulgada nas redes sociais, Haddad afirmou que “a adoção de medidas mais rigorosas de controle sobre os dividendos como forma de retaliação às taxas adotadas pelos Estados Unidos […] não está em consideração”.
A declaração foi feita em meio à repercussão da medida adotada por Trump no último dia 9, em reação ao processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
Durante entrevista na Casa Branca, Trump afirmou que impôs a tarifa por considerar “uma desgraça” o que está sendo feito com o ex-presidente.
“Conheço o ex-presidente. Ele lutou muito pelo povo brasileiro… o que estão fazendo com ele é terrível”, disse.
Em carta enviada a Lula, Trump reforçou o tom político e chamou o julgamento de Bolsonaro de “uma vergonha internacional” e de “Caça às Bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!”.
O presidente americano também acusou o governo brasileiro de promover “ataques insidiosos” às eleições e de violar a liberdade de expressão de cidadãos americanos. Disse ainda que os Estados Unidos têm déficit comercial com o Brasil — o que contraria dados oficiais de ambos os países, que mostram superávit americano desde 2009.
Apesar das declarações de Trump, o presidente Lula afirmou que o Brasil “não aceitará ser tutelado por ninguém”, mas disse que busca diálogo com Washington.
Uma nova carta, assinada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo chanceler Mauro Vieira, foi enviada esta semana à Casa Branca, expressando “indignação” com a tarifa e cobrando resposta à mensagem enviada em maio — ainda sem retorno oficial.
O governo estuda acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, regulamentada nesta semana, que permite aplicar medidas similares a países que adotem sanções unilaterais.
Lula afirmou que a norma será usada “quando necessário” e indicou a intenção de acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC), em conjunto com outros países afetados.
“A partir daí, se não houver solução, nós vamos entrar com a reciprocidade já a partir de 1º de agosto, quando ele começa a taxar o Brasil”, disse o presidente.
FONTE: O Antagonista
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