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Brasil

20/07/2025 às 12h51

Redação

Campo Grande / MS

Agro não pode arcar por retaliações sem diálogo, diz especialista
Qualquer barreira adicional pode reduzir drasticamente volume de exportações
Agro não pode arcar por retaliações sem diálogo, diz especialista
Foto Tânia Rêgo

O agronegócio brasileiro pode enfrentar tempos turbulentos após o recente anúncio do governo dos Estados Unidos sobre a imposição de uma tarifa de 50% sobre uma série de produtos importados do Brasil.


A medida, que tem potencial para abalar significativamente a balança comercial entre os dois países, já causa apreensão em setores estratégicos da economia nacional, incluindo o agro.


Ao portal Diário do Poder, o especialista em Direito do Agronegócio no escritório João Domingos Advocacia, Lando Battosso, afirma que o impacto será imediato e direto.


“Produtos como carne bovina, café e suco de laranja — grandes expoentes do agro brasileiro — perderão competitividade no mercado americano com esse aumento tarifário. O Brasil exportou cerca de US$ 40 bilhões para os EUA em 2024, representando 12% de todas as exportações. Qualquer barreira adicional pode reduzir drasticamente esse volume”, explica.


Além dos produtos do agro, outras áreas também estão sob risco, como petróleo, ferro, aço, aeronaves, papel e celulose.


Mas o reflexo da medida não para por aí: o real pode se desvalorizar ainda mais, à medida que investidores retiram recursos do país diante da incerteza jurídica e comercial.


Segundo Battosso, a tensão aumentou ainda mais com a investigação iniciada pelos Estados Unidos sobre as práticas comerciais brasileiras. Os focos incluem alegações de corrupção, comércio digital e supostas irregularidades no agronegócio.


“Muitas dessas acusações são frágeis, com origem em discursos internos do próprio governo brasileiro, que vem promovendo uma narrativa de enfraquecimento do setor agro e má gestão de recursos”, observa.


Lando destaca ainda que outro ponto que contribuiu para o desgaste diplomático foi o anúncio, por parte do governo brasileiro, de uma nova moeda em negociação pelo BRICS, proposta sem embasamento técnico claro. A sinalização foi vista com desconfiança por outros países


Risco de guerra comercial


Em resposta à tarifa norte-americana, o Brasil anunciou medidas de reciprocidade, o que acendeu o alerta para uma possível guerra comercial. O especialista teme que o confronto acirre ainda mais a crise e prejudique não apenas as exportações brasileiras, mas também o ambiente de negócios como um todo.


“Retaliações podem parecer uma resposta justa, mas sem diálogo e negociação, os dois lados saem perdendo. O agro brasileiro, em especial, não pode arcar com mais instabilidade. Precisamos buscar soluções diplomáticas que preservem as relações comerciais e garantam segurança jurídica para os exportadores”, defende Battosso.


Caminhos para a solução


Diante do cenário, o especialista pondera que os impactos poder ser mitigados com medidas técnicas e diplomáticas, evitando que o embate evolua para uma crise comercial de grandes proporções.


“Mais do que nunca, é hora de fortalecer a imagem do Brasil como um parceiro confiável, com práticas sustentáveis e governança sólida. A retórica política precisa dar lugar à diplomacia econômica”, conclui Lando ao apontar que o agro representa cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

FONTE: Mael Vale

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