28/07/2025 às 13h26
Redação
Campo Grande / MS
No último semestre de 2024, Israel, Alemanha, Reino Unido e até a Índia estavam em uma corrida silenciosa para fornecer ao Brasil os sistemas de artilharia antiaérea mais avançados do planeta. O que parecia ser mais uma visita protocolar à Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea (ESAI), no Rio de Janeiro, acabou revelando uma disputa internacional por um contrato que poderia revolucionar por completo a forma como o Exército Brasileiro defende suas bases, fronteiras e centros estratégicos.
Por trás das portas fechadas, representantes de algumas das maiores empresas de defesa do mundo desembarcaram com propostas de peso. E o mais impressionante: o Brasil tem hoje tecnologia, estrutura e conhecimento suficientes para construir seu próprio sistema integrado de defesa aérea.
Estilingue de Davi no Brasil? Israel ofereceu seu poderoso sistema de artilharia antiaérea do Exército capaz de destruir alvos em até 300 km de distância.
A primeira gigante a apresentar suas armas foi a israelense Rafael Advanced Defense System, famosa mundialmente pelo sistema Iron Dome, que protege Israel de mísseis de curto alcance. Mas não foi o Domo de Ferro que despertou o interesse dos militares brasileiros desta vez.
O destaque da apresentação foi o poderoso David’s Sling (ou Estilingue de Davi), desenvolvido em parceria com a norte-americana RTX. Este sistema de artilharia antiaérea é uma verdadeira fortaleza tecnológica, capaz de interceptar ameaças voando a até 45 km de altitude (150.000 pés) e 300 km de distância. Hoje, ele opera exclusivamente nas Forças de Defesa de Israel, mas já está na mira de países como Finlândia e Austrália, conforme reportado pela Defense News.
O custo estimado de uma bateria do David’s Sling gira em torno de US$ 336 milhões. Um investimento alto, mas que coloca o país no topo da proteção de média e longa altitude.
Além do Estilingue de Davi, a Rafael também trouxe para a mesa o sistema Spyder, uma solução mais acessível, que já está em operação em oito países, incluindo Índia, Vietnã, Etiópia e Emirados Árabes Unidos. Ele atinge alvos a até 15 km de altitude e 50 km de alcance, com um custo por bateria estimado em US$ 105,5 milhões.
Curiosamente, o Spyder não é usado nem mesmo por Israel, mas seu desempenho global e a flexibilidade operacional o mantêm como uma opção atrativa para as Forças Armadas do Brasil.
Reino Unido apostou no EMADS: mesma tecnologia usada nas futuras fragatas brasileiras
Na sequência das apresentações, a MBDA, multinacional europeia com sede em Paris, chegou com o sistema EMADS (ou Land Ceptor), já empregado pelo Exército Britânico. Este equipamento utiliza os mísseis CAMM, conhecidos por sua aplicação em navios de guerra ao redor do mundo, inclusive nas futuras fragatas da classe Tamandaré, da Marinha do Brasil.
Com capacidade para atingir alvos a 10 km de altitude e 45 km de alcance, o EMADS custa em torno de US$ 111 milhões por bateria. É um sistema testado em combate, confiável e com integração comprovada em operações conjuntas da OTAN.
Vale lembrar que, durante o governo Dilma Rousseff, houve uma proposta de adaptação desses mísseis para uso terrestre com o lançador ASTROS, em parceria com a Avibras, mas o projeto não avançou à época.
Alemanha propôs IRIS-T SL: tecnologia já usada pelos caças Gripen
Fechando a rodada, a Diehl Defence, da Alemanha, colocou na mesa o sistema IRIS-T SL, uma versão terrestre do famoso míssil ar-ar IRIS-T, já utilizado pelos caças F-39 Gripen da Força Aérea Brasileira.
Com capacidade para engajar alvos a até 20 km de altitude e 40 km de alcance, o IRIS-T SL tem o diferencial de já estar adaptado à realidade logística do Brasil, o que pode facilitar a integração operacional. Segundo o portal Army Recognition, o custo por bateria está estimado em US$ 120 milhões.
Índia entrou na disputa com promessa de transferência de tecnologia
Apesar das propostas robustas da Europa e de Israel, há um detalhe que pode pesar na decisão final: a Índia ofereceu seu sistema Akash NG com transferência total de tecnologia. Segundo informações do portal Financial Express India, o sistema indiano pode atingir alvos a até 18 km de altitude e 80 km de alcance, com custo de US$ 111 milhões por bateria.
Mais importante ainda: a proposta previa a produção no Brasil, com software aberto, integração com radares SABER M200 e sistema IFF nacional, além de uma possível compensação bilateral envolvendo até 80 aeronaves KC da Embraer para a Índia.
Exército brasileiro já tem os ingredientes para um sistema 100% nacional
Com todos os holofotes sobre as ofertas estrangeiras, um ponto muitas vezes ignorado é que o Brasil já possui as bases necessárias para construir seu próprio sistema de artilharia antiaérea. Temos:
O que falta é apenas unir esses elementos e investir na conversão dos mísseis A-Darter para uso terrestre. Um projeto desse tipo colocaria o país em outro patamar de soberania e independência tecnológica no setor de defesa.
FONTE: Thaís Souza
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