12/08/2025 às 11h10
Redação
Campo Grande / MS
Enquanto não telefona para Donald Trump em busca de um entendimento que inicie a reaproximação entre Brasil e Estados Unidos, Lula recorreu à Rússia e à China.
O ditador Vladimir Putin telefonou para o brasileiro esta semana e fez as declarações de praxe, sobre como o Brasil é importante e como Lula é importante nessa importância.
Na mesma semana, Lula ligou para o ditador Xi Jinping, de modo a estreitar as relações entre os países.
A ditadura asiática divulgou uma declaração, dizendo que a "China está disposta a trabalhar com o Brasil para aproveitar as oportunidades, fortalecer a coordenação, criar mais resultados de cooperação mutuamente benéficos, dar exemplo de unidade e autossuficiência entre os principais países do Sul Global, e construir conjuntamente um mundo mais justo e planeta mais sustentável’’.
Não pareceu ter sido uma frase muito feliz.
Os chineses, afinal, não querem o Brasil perto demais dos americanos.
"Dentro do contexto da crise, seria possível haver uma declaração pior do que essa para o diálogo Brasil - EUA? Se a China não está interessada em uma composição entre Brasil e EUA, deveria Lula buscar apoio em Xi Jinping?", diz o cientista político Leonardo Barreto, colunista de Crusoé.
A resposta parece clara.
Mas a impressão que fica é que a Rússia, e sobretudo a China, alimentam o ego de Lula para fazê-lo sentir-se importante, com declarações e oblatas vazias de substância, mas cheias de significado para o líder brasileiro.
Quem perde com as falas de Lula é o Brasil.
Lembra a vinheta de abertura do desenho The Simpsons, quando a bebê Maggie brinca, feliz da vida com seu volante de plástico, dirigindo o carro que, na realidade, é conduzido por sua mãe, Marge (imagem).
Enquanto Lula faz e recebe declarações de simpatia, esses outros países vão conseguindo o que querem: Vladimir Putin será recebido por Trump nesta sexta-feira e Xi Jinping arrancou outro adiamento de 90 dias para o início das tarifas americanas.
E o nosso presidente? Ele acabou de ver a reunião entre Scott Bessent, secretário do Tesouro americano, e seu ministro Fernando Haddad cancelada.
A culpa é da "militância antidiplomática dessas forças de extrema-direita", disse Haddad.
Só dela? Que iniciativas concretas Lula tem tomado para apaziguar as questões possíveis com Trump, além de falar com os maiores rivais americanos? Seguimos no aguardo.
FONTE: José Inácio Pilar
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