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Rio Verde

26/08/2025 às 10h58 - atualizada em 26/08/2025 às 12h47

Redação

Campo Grande / MS

Com arara no A e berrante no B, alfabeto pantaneiro facilita o ensino
Projeto da Creche, que tem o apoio da Prefeitura Municipal de Rio Verde, encontrou uma forma de facilitar o ensino da leitura para crianças, inspirada no Pantanal - e deu certo
Com arara no A e berrante no B, alfabeto pantaneiro facilita o ensino
Foto Divulgação

No bairro Vila Nova, em Rio Verde, o aprendizado das letras ganhou perfil regional e vem sendo executado com sucesso.


Sob o comando da diretora Katiane Rodrigues de Lara, no Centro de Educação Infantil Venância Gonçalves Ferreira, as crianças não descobrem o "A" de amor ou o "B" de baixinho, mas sim o "A" da arara e o "B" do berrante.


Desse jeito, com DNA bem sul-mato-grossense, nasceu o projeto “Alfabetiza Pantanal”, iniciativa que transformou o cotidiano da creche em um mergulho na cultura pantaneira.


Com a proposta, fruto da adesão da Prefeitura ao Cidade Empreendedora do Sebrae, em 2022, o objetivo é facilitar o entendimento trazendo elementos do dia a dia das crianças.


"Nós demos ênfase aos elementos do Pantanal, que é um ambiente conhecido e onde a criança está inserida. E disso surgiu o Alfabetiza Pantanal, que ensinar as crianças inserindo coisas que eles veem no dia a dia ou que os pais comentam em casa. É nosso alfabeto pantaneiro”, explica a diretora Katiane Rodrigues de Lara.


Ao todo, 135 alunos de 1 a 4 anos da creche da Vila Nova vivem e aprendem o alfabeto pantaneiro diariamente.


A cada passeio, cada refeição e cada brincadeira, as letras se aproximam da vida real.


“Às vezes os pequenininhos ainda não conhecem a letra, mas se você pergunta cadê a arara no cartaz, eles já apontam para a letra certa. Eles são apaixonados por isso”, conta.


As atividades vão além do alfabeto. Os professores adaptam jogos, brincadeiras e até a alimentação é regionalizada para ensinar promovendo pertencimento.


“De vez em quando a gente faz o quebra-torto de manhã. Eles comem sopa paraguaia, por exemplo. A gente adapta a comida à realidade local e sempre associa às letras”, conta.


No espaço da educação física, a imaginação pantaneira também aparece. “Se a criança vai passar em cima de uma rampa para desenvolver o equilíbrio, a professora cria a situação de que é uma ponte, e que embaixo tem jacarés e peixes. Ali já é ensinado que eles não podem cair se não os bichinhos pegam”, exemplifica Katiane.


O projeto já foi levado para encontros em Miranda e Campo Grande


Até os passeios escolares ganham esse toque regional.


Um dos mais esperados é a visita à fábrica de chapéus de Rio Verde. “Eles voltam todos de chapéu. Já virou a identidade deles”, comenta.


O projeto já foi levado para encontros em Miranda e Campo Grande, e vem inspirando outras creches da rede municipal. Mais do que uma metodologia de ensino, o alfabeto pantaneiro virou marca de identidade para as crianças.


“Hoje a gente respira em torno desse projeto criado pela própria creche que já inspira outra escolas”, resume a diretora.


Segundo Katiane, entre os pais a avaliação também é positiva.


“Eles gostam porque percebem que os filhos identificam coisas que talvez, com um método tradicional, não estariam aprendendo com tanto entusiasmo”, finaliza.

FONTE: Clayton Neves com a redação

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