04/09/2025 às 12h00
Redação
Campo Grande / MS
Enquanto o Brasil acompanhava o julgamento de Jair Bolsonaro o governo Lula levava outra rasteira no Congresso Nacional.
Assim como ocorreu na CPMI do INSS, a base do governo Lula chegou atrasada à audiência da Comissão de Transparência, Fiscalização e Controle (CTFC) do Senado na quarta-feira, 3, com o requinte de crueldade de que o atrasado senador Rogério Carvalho protestou esbaforido contra a aprovação da proposta de fiscalização e controle dos Correios.
“Eu vim correndo, porque a sessão abriu e eu, foi o tempo de chegar aqui. O senhor colocou em votação, aprovou sem dar o direito, antes da votação, de a gente se manifestar. Isso é uma manobra clara de atropelar o processo, para não ter debate, como tudo que representa o que vocês representam, o 8 de janeiro, a tentativa das urnas, a busca para anistia para quem cometeu crime, ou seja, isso, presidente, é uma vergonha para o Congresso Nacional e para o Senado da República”, reclamou Carvalho, enquanto tentava retomar o fôlego.
“Portanto, eu não tenho mais que discutir. O senhor já aprovou. Uu vou encaminhar uma questão de ordem à Mesa Diretora do Senado, levantando todas as inconsistências que tem nessa proposta de fiscalização, porque extrapola, entra em empresas privadas, que não é competência desta comissão, não é uma comissão parlamentar de inquérito, é uma comissão que tem por obrigação fazer a fiscalização de órgãos da administração direta e indireta. Não pode extrapolar, para cada convocação tem que ter um requerimento específico, e, aqui, tem uma construção total, ampla e de indefinição e dos requerimentos que devem ser aprovados individualmente”, completou o senador petista.
Desembarque e emendas
A nova derrota ocorreu na mesma semana em que o maior bloco parlamentar anunciou seu desembarque do governo. Ainda que nem todo mundo queira sair, como o ministro do esporte, André Fufuca, que desafiou a ordem do PP para entregar o cargo, a debandada reforça a fraqueza de Lula, que tenta, ao mesmo tempo, conter a aprovação de anistia para Jair Bolsonaro e companhia.
O governo empenhou 2,2 bilhões de reais para pagar emendas Pix no segundo dia de julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF). É o primeiro lote de emendas liberado após as mudanças determinadas pelo ministro Flávio Dino nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI) que questionam os repasses a deputados e senadores.
A mediação de Dino, que é enxergada no Congresso como favorável a Lula, não tem sido o bastante, contudo, para conter as sucessivas e expressivas derrotas dos governistas no parlamento.
Apesar da mãozinha do tarifaço de Donald Trump para a popularidade do presidente, o fôlego do governo já acabou, e ainda falta mais de um ano para o terceiro mandato do petista terminar.
FONTE: Rodolfo Borges
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