24/09/2025 às 11h14
Redação
Campo Grande / MS
Após a revogação de inúmeros vistos de autoridade brasileiras, outro nome entra na mira do governo norte-americano. A informação é da coluna de Ricardo Cappelli, do portal Metrópoles.
Isso porque os Estados Unidos estão estudando a revogação do visto de Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, atual comandante do Exército Brasileiro, em uma medida que pode elevar a tensão diplomática entre Washington e Brasília a um novo patamar.
A avaliação do governo de Donald Trump é de que o general teria sido indicado ao posto por Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, e atuaria garantindo respaldo da cúpula militar a decisões do magistrado.
Segundo mapeamento do Departamento de Estado norte-americano, foram registradas diversas reuniões entre Moraes e o comandante do Exército. A interpretação em Washington é que certas determinações do ministro, inclusive envolvendo militares, teriam sido definidas após alinhamento prévio com Tomás.
A possível suspensão do visto faz parte de um pacote de sanções mais amplo, que já contempla integrantes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Apenas nesta segunda-feira (22/9), sete autoridades brasileiras tiveram o visto revogado pelos EUA.
Especialistas ouvidos pelo colunista do Metrópoles por fontes diplomáticas avaliam que a medida pode gerar repercussões sobre parcerias militares e cooperação bilateral em curso.
O general Tomás, procurado para comentar o assunto, preferiu não se manifestar. Oficiais próximos a ele afirmam ao jornalista que uma ofensiva da Casa Branca representaria um “tiro no pé” e comprometeria canais de diálogo importantes entre os governos brasileiro e norte-americano.
Um integrante do governo Trump destacou que, apesar de a expectativa ser de que sanções não alterem a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do STF, outras punições devem ser aplicadas.
Além da questão do visto, o comandante do Exército aparece nas investigações sobre a suposta ‘trama golpista’ envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Conversas registradas pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, revelam que Tomás teria confidenciado a seu pai, o general Lourena Cid, comentários de Moraes sobre o ex-presidente.
“Ele [Alexandre de Moraes] acha que o PR [Bolsonaro] acabou com a vida dele… (CMT EB [general Tomás] que conversou com ele e passou para o meu pai)”, diz trecho da delação que contribuiu para a condenação de Bolsonaro.
A movimentação dos EUA contra o general surge em um momento delicado nas relações bilaterais. Além do impacto simbólico, a revogação do visto poderia influenciar negociações e intercâmbios militares, que atualmente incluem exercícios conjuntos e programas de cooperação tecnológica.
Fontes diplomáticas ressaltam que a decisão final ainda depende de avaliação política de alto nível, mas indicam que a Casa Branca monitora o histórico de reuniões e contatos de Tomás com Moraes como critério central para a medida.
O caso está sendo acompanhado com atenção por setores militares e políticos no Brasil, que temem que a aplicação de sanções individuais contra o comandante do Exército possa criar precedentes em outras áreas sensíveis, como a atuação de forças de segurança e a relação entre Executivo e Judiciário.
FONTE: Metrópoles
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