30/09/2025 às 09h41
Redação
Campo Grande / MS
O deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI que apura o roubo a aposentados e pensionistas, confrontou o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, sobre acusações de assinaturas fantasmas na entidade.
“É padrão da Conafer ressuscitar mortos para conseguir descontos associativos?”, Questionou Gaspar na oitiva desta segunda-feira (29).
Segundo o relator, a Controladoria-Geral da União (CGU) detectou que a Conafer enviou, em 2024, 100 fichas de adesão supostamente fraudulentas, muitas delas em nome de pessoas já falecidas há anos, como Maria Rodrigues, que assinou uma autorização de desconto associativo mesmo tendo morrido cinco anos antes.
Ou Gilberto, outro “colaborador” que teria colaborado com sua assinatura, vinte anos após seu falecimento.
“Isso se repetiu mais de 300 vezes. Não é um caso isolado, não é erro, é padrão. E um padrão muito conveniente para quem arrecadou cerca de R$ 800 milhões às custas de aposentados e pensionistas”, denunciou Gaspar.
Confrontado pelas evidências, o presidente da Conafer limitou-se a alegar desconhecimento:
“A Conafer desconhece que pessoas em óbito recebam benefício na obra relativa.”
Quando pressionado a explicar como defuntos continuam recebendo benefícios ou assinando documentos, Carlos Lopes apelou ao que chamou de “abscesso da lógica”.
“O discurso do cara que está morto. Como é que existe, senador, os discursos afeitos pelo INSS com uma pessoa que já morreu?”, rechaçou.
Gaspar apontou que de acordo com a CGU, nenhuma das 100 fichas analisadas tinha autorização válida. Em outras palavras, 100% da amostragem era fraudulenta.
“Se o morto tiver recebido benefício, pelo jeito sim”, indagou o relator.
FONTE: Mael Vale
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