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Brasil

10/10/2025 às 10h54

Redação

Campo Grande / MS

Lula, uma farsa democrática diante de María Corina Machado
Nenhum ator político, por mais habilidoso, cínico, hipócrita e calculista que seja, consegue manter indefinidamente uma imagem do que não é
Lula, uma farsa democrática diante de María Corina Machado
Foto Arquivo

Há um ditado atribuído a Abraham Lincoln, que nunca sei bem como reproduzi-lo, que diz mais ou menos o seguinte: “Você pode enganar algumas pessoas por algum tempo ou todas as pessoas por algum tempo, mas não todas as pessoas por todo o tempo.”


Adaptando-o a mim mesmo: “Você pode controlar alguns ambientes por pouco tempo, muitos ambientes por muito tempo, mas não todos os ambientes por todo o tempo.” Essa é a chave para entender a farsa democrática que é Luiz Inácio Lula da Silva.


Em discursos cuidadosamente roteirizados, entrevistas concedidas a veículos simpáticos, fóruns internacionais sob encomenda, que não arranham a superfície de suas contradições, o chefão do PT encena o papel de estadista democrático.


Máscaras ao chão


Nesses ambientes controlados, Lula fabrica a narrativa de que representa o antídoto contra o autoritarismo, quando, na prática, apenas encobre suas próprias convicções autoritárias. A farsa democrática é eficaz onde as perguntas são raras e a plateia, domesticada.


Contudo, nos locais que escapam ao seu controle, a retórica encontra a realidade e a máscara cai. A imagem do democrata se desfaz, expondo o Lula que sempre se aliou a Fidel Castro, Hugo Chávez, Nicolás Maduro, Daniel Ortega, Vladimir Putin e companhia.


Esses registros não desaparecem, não se diluem no jogo de cena lulopetista e da esquerda amiga e não se apagam com propagandas políticas e notas diplomáticas. São a prova de que o autoproclamado democrata não passa de aliado sistemático do autoritarismo.


Os limites do teatro democrático


Lula se esforça para posicionar-se como líder global, defensor de uma ordem multipolar e crítico da “hipocrisia” ocidental. Consegue, em parte, enganar plateias menos atentas, vendendo o Brasil como a voz iluminada da democracia no Sul-Global.


A narrativa é bem produzida, mas não resiste ao escrutínio mais severo. Porque, em algum momento, o discurso encontra os fatos: Lula relativizando as ditaduras da Nicarágua e da Venezuela, e trocando abraços e sorrisos carinhosos com Putin, Xi e outros do gênero.


Eis a prova de que o autoproclamado democrata não passa de um aliado sistemático do autoritarismo. Lula estende sua propaganda sobre organismos internacionais e parte da imprensa nacional, mas não controla o tribunal da história, que é implacável.


Vitória moral contra a tirania


María Corina Machado, a mulher que enfrenta a ditadura de Maduro na Venezuela, perseguida, silenciada, caçada, jamais se calou. Merecidamente, acaba de ser agraciada com o Nobel da Paz, e se projeta definitivamente como símbolo de resistência democrática.


O simbolismo, ou melhor, a mensagem aos brasileiros é acachapante: o contraste entre o vazio democrático de Lula, que relativiza ditaduras e abraça Maduro, e a mulher que o denuncia, o combate e se sacrifica pela liberdade dos venezuelanos.


Esse é o ambiente que Lula não consegue controlar. A consagração de María Corina Machado é um lembrete incômodo de que o mundo, ainda que conivente e desatento, observa a América do Sul. E quando o mundo enxerga, não é o “Lula democrata” que aparece.


Não há controle eterno


A imagem do pai do Ronaldinho dos Negócios construída para plateias convenientes não resiste quando se depara com um Nobel incontestável. No embate simbólico, a vitória é de Corina, porque ela encarna aquilo que Lula jamais foi: uma voz autêntica pela liberdade.


Voltemos ao ditado do início do texto: “Você pode controlar alguns ambientes por pouco tempo, muitos ambientes por muito tempo, mas não todos os ambientes por todo o tempo.” Lula consegue controlar parte da narrativa nacional e mundial. Mas não controla todas.


Nenhum ator político, por mais habilidoso, cínico, hipócrita e calculista que seja, consegue manter indefinidamente uma imagem do que não é. Uma hora a cortina cai. E se não por vontade própria dos que o cercam, pelo exemplo que vem de longe. Bravo, Corina!

FONTE: Ricardo Kertzman

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