18/10/2025 às 08h54
Redação
Campo Grande / MS
É de conhecimento público que a esquerda mundial defende a inclusão de minorias em posições de destaque, especialmente na política. Entretanto, na prática, esse discurso costuma ficar restrito a manifestos e documentos internos, sem refletir ações concretas. Essa postura é tão ineficaz quanto ideologias opostas.
No Brasil, o presidente da República e seu partido seguem pregando a "igualdade" nos discursos, mas praticando desigualdade absoluta nas ações.
Quando assumiu, surgiu uma vaga no STF de forma natural, coincidentemente de uma das duas ministras mulheres da Corte. Eram apenas duas mulheres e nove homens. O presidente, sem hesitar, indicou seu ministro da Justiça, branco, homem, de alta posição política e integrante de seu governo, reforçando a desigualdade. A Corte passou a ter dez homens e uma única mulher.
Após a aposentadoria de outro ministro, a vaga foi ocupada, sem questionamento, pelo advogado de defesa do presidente em um caso recente, cuja decisão foi anulada pela própria Corte. A composição permaneceu humilhantemente desequilibrada: 10 a 1.
Como dizia o presidente, “nunca antes na história do Brasil” uma minoria foi tão privilegiada! — uma frase que evidencia a discrepância entre discurso e prática.
Agora, surge mais uma vaga com a aposentadoria de outro ministro. Mais uma vez, a indicação segue critérios pessoais, e não meritocráticos ou de igualdade.
É urgente que a sociedade, especialmente defensores da igualdade e das minorias, manifeste-se para que a vaga seja ocupada por uma mulher, preferencialmente preta e apolítica. Essa mesma sociedade que venceu o Congresso na PEC da blindagem, agora precisa se impor perante o presidente para ajudar a fazer um pouco de justiça.
Qualquer justificativa de que “o importante é ter conhecimento e preparo” equivale a afirmar indiretamente que não há mulheres preparadas. Nesse contexto, seria relevante conhecer a opinião da única ministra da Corte, já que, tradicionalmente, os ministros influenciam fortemente as indicações. Ou talvez ela valorize mesmo ser a única mulher da Corte.
FONTE: Pedro Cardoso da Costa
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