24/10/2025 às 06h34
Redação
Campo Grande / MS
Ciro Gomes voltou ao PSDB oficialmente na quarta-feira, 22, reclamando do “lulismo eterno” e deixando no ar a possibilidade de uma candidatura presidencial.
No dia seguinte, Lula (à direita na foto) diz, durante viagem à Indonésia, sem ser questionado, que será candidato ao quarto mandato presidencial.
Lula abandonou, no início deste ano, qualquer pretensão de fingir que governa o país e começou uma campanha para tentar chegar de pé em 2026.
A estratégia deu algum resultado, como mostram as pesquisas de opinião pública, mas o Lulômetro, medido pela Real Time Big Data diariamente, em parceira com O Antagonista, sugere que a recuperação de popularidade do petista pode ter atingido seu teto em torno de 35% de aprovação.
O desconforto
Lula tem motivos para estar mais confiante, mas seu governo demonstra um desconforto parecido com aquele que leva o presidente a reafirmar semanalmente que, apesar de estar chegando aos 80 anos, tem “a mesma energia de quando tinha 30 anos de idade”.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (à esquerda na foto), voltou a prometer um pacote de corte de gastos para tentar aprovar mais um aumento de impostos, para sustentar o Orçamento eleitoreiro do próximo ano — na última vez em que ele fez isso, o dólar ultrapassou os 6 reais.
Mas o grande indício de incômodo do governo são as cutucadas no Banco Central pela manutenção da taxa básica de juros a 15% ao ano, única tentativa em Brasília de segurar a inflação.
Por quê?
Não satisfeitos com a própria irresponsabilidade, os governistas tentam atrair Gabriel Galípolo para esquentar a economia e melhorar o sentimento do eleitorado sobre a condição de um país que ruma para o colapso fiscal em 2027, a partir de quando a administração pública precisará de reformas drásticas, como os próprios membros do governo admitem.
Diante da tentativa de afirmação de Lula, é de se questionar mais uma vez: por que um presidente que abriu mão de tentar governar ao fim do segundo ano de mandato tentará se reeleger para uma quarta gestão no qual a opção por não governar será ainda mais difícil de se sustentar?
FONTE: Rodolfo Borges
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