Sexta, 12 de junho de 2026
(67) 9-9959-0792
Geral

24/10/2025 às 06h34

Redação

Campo Grande / MS

O lulismo eterno
Anúncio de Lula sobre planos para reeleição é tentativa de afirmação de um governo que ainda não garantiu nem os gastos eleitoreiros para 2026
O lulismo eterno
Foto Arquivo

Ciro Gomes voltou ao PSDB oficialmente na quarta-feira, 22, reclamando do “lulismo eterno” e deixando no ar a possibilidade de uma candidatura presidencial.


No dia seguinte, Lula (à direita na foto) diz, durante viagem à Indonésia, sem ser questionado, que será candidato ao quarto mandato presidencial.


Lula abandonou, no início deste ano, qualquer pretensão de fingir que governa o país e começou uma campanha para tentar chegar de pé em 2026.


A estratégia deu algum resultado, como mostram as pesquisas de opinião pública, mas o Lulômetro, medido pela Real Time Big Data diariamente, em parceira com O Antagonista, sugere que a recuperação de popularidade do petista pode ter atingido seu teto em torno de 35% de aprovação.


O desconforto


Lula tem motivos para estar mais confiante, mas seu governo demonstra um desconforto parecido com aquele que leva o presidente a reafirmar semanalmente que, apesar de estar chegando aos 80 anos, tem “a mesma energia de quando tinha 30 anos de idade”.


O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (à esquerda na foto), voltou a prometer um pacote de corte de gastos para tentar aprovar mais um aumento de impostos, para sustentar o Orçamento eleitoreiro do próximo ano — na última vez em que ele fez isso, o dólar ultrapassou os 6 reais.


Mas o grande indício de incômodo do governo são as cutucadas no Banco Central pela manutenção da taxa básica de juros a 15% ao ano, única tentativa em Brasília de segurar a inflação.


Por quê?


Não satisfeitos com a própria irresponsabilidade, os governistas tentam atrair Gabriel Galípolo para esquentar a economia e melhorar o sentimento do eleitorado sobre a condição de um país que ruma para o colapso fiscal em 2027, a partir de quando a administração pública precisará de reformas drásticas, como os próprios membros do governo admitem.


Diante da tentativa de afirmação de Lula, é de se questionar mais uma vez: por que um presidente que abriu mão de tentar governar ao fim do segundo ano de mandato tentará se reeleger para uma quarta gestão no qual a opção por não governar será ainda mais difícil de se sustentar?

FONTE: Rodolfo Borges

O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos o direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas. A qualquer tempo, poderemos cancelar o sistema de comentários sem necessidade de nenhum aviso prévio aos usuários e/ou a terceiros.
Comentários
Veja também
Facebook
© Copyright 2026 :: Todos os direitos reservados
Site desenvolvido pela Lenium