25/10/2025 às 19h14
Redação
Campo Grande / MS
Muita gente anda comparando o que disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira, 24, na Indonésia, que “Traficantes são vítimas dos usuários”, com as falas amalucadas da ex-presidente Dilma Rousseff, nossa eterna e inesquecível saudadora de mandioca e estoquista de vento.
Em um país que pune com a morte um traficante pego pela Justiça, o presidente brasileiro desprezou as milhares de vítimas fatais anuais decorrentes do tráfico de drogas no Brasil, bem como o sofrimento de familiares e amigos – e os próprios viciados – colhidos por essa verdadeira chaga social.
Particularmente, não vejo qualquer semelhança entre as situações, as falas e as personagens. Dilma jamais ousou vitimizar um traficante e condenar um drogado em, digamos, solo tão hostil. Além do mais, suas frases desconexas soavam quase inocentes, tamanha dissonância com os fatos e a realidade.
A história não mente
Lula, historicamente, como o PT e a esquerda em geral, são useiros e vezeiros em passar pano para infratores. Um menor roubou um celular? Coitado, precisa de acolhimento. Um ladrão foi preso em flagrante? Culpa da sociedade capitalista. Um estuprador é seviciado na prisão? Merece ser tratado com dignidade.
Curioso é que, enquanto critica democracias, adula ditaduras. Enquanto critica policiais, clama por direitos humanos a criminosos. Mas inverter os papeis, como fez ontem, foi exagerado até para os padrões lulopetistas. Tanto é que quase se desculpou, mas acabou sendo quem sempre foi e elogiou a si mesmo.
Fosse uma pessoa diferente e com um passado que não o condenasse, eu até poderia considerar ter sido uma fala truncada, traída pela mente de um senhor de 80 anos e cansado por estar do outro lado do mundo. Porém, repito, Lula sempre pensou assim. O PT sempre pensou assim. A esquerda sempre pensou assim.
Eleições 2026
Já posso prever, na campanha eleitoral do ano que vem, a oposição ao lulopetismo explorando eleitoralmente o episódio, e Lula recorrendo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tentando impedir que utilizem a verdade contra ele, exatamente como ocorreu em 2022, quando diversos videos foram censurados pela Justiça eleitoral.
O potencial destruidor do sincericídio é tamanho que, intuo, refletirá já nas pesquisas de opinião vindouras. Será significativo a ponto de fazer Lula retomar a tendência de desaprovação, verificada por meses antes da alopragem do seu camisa 10, Eduardo Bolsonaro? Talvez. Pois é um fato realmente significativo.
Em ano eleitoral, nos acostumamos assistir ao PT fazer o diabo – olha a Dilminha aí outra vez! – para vencer as eleições. Pelo visto, dentre tantos programas assistencialistas eleitoreiros que estarão em curso em 2026, teremos mais um, dessa vez o inédito “Meu traficante, Minha vítima”. Chora, Sidônio, que Lulinha não é fraco, não.
FONTE: Ricardo Kertzman
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