28/10/2025 às 19h58
Redação
Campo Grande / MS
O líder da oposição na Câmara, deputado federal Luciano Zucco (PL-RS, foto) protocolou nesta terça-feira, 28, um requerimento para convocar o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira, a prestar esclarecimentos sobre possíveis conflitos de interesse e irregularidades em contrato de duas estatais com empresas ligadas a seus sócios.
De acordo com o Estadão, uma produtora vinculada a Francisco Kertész, sócio de Sidônio, teria recebido R$ 12 milhões em contratos com a Caixa Econômica Federal e a Embratur.
Para Zucco, o caso viola os princípios da moralidade, impessoalidade e legalidade previstos na Constituição Federal.
“É inaceitável que o ministro responsável pela comunicação do governo esteja cercado de denúncias de favorecimento. O governo Lula fala em ética, mas pratica o aparelhamento e o uso político das estatais. É o velho projeto de poder disfarçado de publicidade institucional”, afirmou Zucco.
“A Secom virou o coração da propaganda do governo e não pode ser usada como balcão de negócios. O ministro Sidônio Palmeira tem a obrigação de vir ao Parlamento e explicar, ponto por ponto, cada contrato firmado, cada relação societária e cada centavo pago com dinheiro do contribuinte”, acrescentou.
O deputado ressalta que o caso pode violar a Lei nº 12.813/2013, que trata de conflito de interesses, e a Lei nº 8.429/1992, sobre improbidade administrativa.
Zucco afirmou que a convocação “não é uma disputa política, mas uma exigência moral”, e que o Parlamento tem o dever de fiscalizar o uso de verbas públicas e coibir eventuais práticas de favorecimento.
Caixa e Embratur
Segundo a reportagem, a produtora Macaco Gordo, do empresário Francisco Kertész, que é sócio de Sidônio na M4 Comunicação e Propaganda, atualmente chamada de Nordx, recebeu R$ 12 milhões de contratos de publicidade das estatais Caixa Econômica Federal e Embratur nos últimos dois anos.
A M4 foi criada em 2022 para atuar na campanha eleitoral de Lula e presta serviços ao diretório nacional do Partido dos Trabalhadores (PT).
Segundo Kertész, a produtora foi escolhida em processos de concorrência por “adequação técnica” e por oferecer o menor preço.
Sidônio consta no quadro societário da M4, mas, por ser ministro do governo Lula, não ocupa mais o cargo de sócio-administrador, função que tinha quando a agência foi fundada.
Relação antiga
Sidônio e Kertész mantêm uma relação de longa data
Segundo o Estadão, a produtora Macaco Gordo já prestava serviços para a agência de Sidônio, Leiaute, na execução de contratos de publicidade do governo do PT na Bahia, mas não atuava no governo federal.
Em 2025, com Sidônio no cargo de ministro, o dono da Macaco Gordo fez 13 visitas ao Palácio do Planalto entre janeiro e junho, todas para se encontrar com Sidônio.
Segundo ele, os encontros foram “de cunho pessoal, sem que jamais tenha sido tratado das atividades da Macaco Gordo”.
FONTE: O Antagonista
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