29/10/2025 às 08h02
Redação
Campo Grande / MS
Sou de uma geração que viu serem romantizados os pivetes cariocas dos anos 1970 e 1980, que cresceram e passaram a aterrorizar os banhistas nas praias fluminenses com arrastões assustadores.Sou de uma geração que viu ser tratado com descaso e cumplicidade o surgimento das facções organizadas na Cidade Maravilhosa, que, anos depois, expandiram fronteiras para São Paulo e o resto do país.
Sou de uma geração que cresceu oprimida pela pregação radical da esquerda festiva por supostos “direitos humanos” e o politicamente correto.
Sou de uma geração que, antes, era atacada por trombadinhas armados com canivetes e cacos de vidro, mas, hoje, por homens com fuzis, granadas e… drones!
Sou de uma geração que já desistiu de enxergar um futuro melhor (também) no combate à violência urbana.
O que aconteceu ontem, no Rio de Janeiro, a despeito de não ser novidade – ao contrário, é um filme pra lá de velho e repetido -, prova e comprova que o Brasil foi tomado pelo crime organizado, ainda que autoridades cínicas, hipócritas e demagogas, como o prefeito Eduardo Paes, o ministro Ricardo Lewandowski, o governador Cláudio Castro, o presidente Lula e tantos outros que ousam sair com o discurso falacioso “Tudo está sob controle”, “Não nos curvaremos ao crime organizado”, ou correr aos holofotes para anunciar – mais um! – inútil “plano emergencial de combate ao crime organizado”, insistam em tentar tapar o sol com a peneira, já toda rasgada por tiros de AR-15, minimizando e relativizando o que já é insuportável e inaceitável.
O Brasil não é um Estado falido apenas moral e civicamente, onde a corrupção, o fisiologismo, o corporativismo e toda sorte de mazelas públicas imperam historicamente. É uma nação onde, não raro, quem tem poder – por incompetência, comodismo, interesse ou mau-caráter – mancomuna-se ao crime, seja o tráfico de drogas, a sonegação fiscal, o roubo de cargas, o contrabando de armas, a compra de votos (no Legislativo) ou de sentenças (no Judiciário).
Enquanto nos morros traficam-se drogas e armas, por diversos gabinetes em Brasília – e em boa parte das assembleias estaduais e câmaras municipais, bem como em alguns tribunais de primeira e segunda instâncias – traficam-se favores, ou melhor, negócios, já que favor é uma “ação gratuita”. Sem falar em tantas autarquias, empresas estatais e em praticamente cada órgão público deste triste pedaço de chão esquecido por Deus.
Há quase 40 anos, eu, Ricardo, já ficava “preso”, inúmeras vezes, na empresa em que trabalhava, na Avenida Itaóca, em Bonsucesso, ao lado do Complexo do Alemão. A diretoria era obrigada a pagar “pedágio” e “segurança” aos criminosos. Ou seja, nenhuma novidade no front. Por isso, essa nova crise irá passar; e outra virá. O escândalo do INSS irá passar, como passaram o mensalão, o petrolão, a Lava Jato, os anões do orçamento, o Banestado, a Coroa-Brastel. E outros virão.
Eduardo Paes e Cláudio Castro vão passar, como passaram Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Anthony e Rosinha Garotinho, Moreira Franco e Leonel Brizola.
Lula - um dia! - vai passar, como passaram Bolsonaro, Dilma, FHC, Itamar e Sarney.
Só não irá passar esse Brasilzão Véi de Guerra. Porque, por alguma razão, gostamos de mantê-lo exatamente assim, como está. Talvez para podermos reclamar depois e dizer: “Alguém tem de fazer alguma coisa.”
FONTE: Ricardo Kertzman
Há 6 horas
Programação da Expoverde 50 anos tem rodeio e showsHá 7 horas
Prefeitura de Sonora notifica concessionária por falhas em obras da rede de esgotoHá 8 horas
Retomada de Corumbá completa 159 anosHá 8 horas
Flávio: ‘É um direito do PT defender bandido, CV e o PCC’Há 8 horas
Transporte sanitário une Estado e municípios em busca de soluções