06/11/2025 às 09h43
Redação
Campo Grande / MS
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (foto), reclamou da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica de juros a 15% ao ano pela terceira reunião seguida.
“A decisão do Copom de manter pela terceira de vez a taxa Selic em 15% é prejudicial aos investimentos produtivos, ao acesso ao crédito, à geração de empregos e ao equilíbrio das contas públicas. É prejudicial ao Brasil”, disse a petista em post em seu perfil do X, em mais uma edição do que O Antagonista convencionou chamar de “ata de Gleisi”.
“Nenhuma economia do mundo pode conviver com um juros reais de 10%. Nada justifica uma decisão tão descasada da realidade, dos indicadores econômicos, das necessidades do país”, finaliza a ata.
E o PT?
De fato, a Selic a 15% é incômoda e amarra a economia nacional, mas, como o Copom tem dito repetidamente nas atas de suas reuniões, o governo Lula não vem fazendo sua parte para criar as condições que permitiriam reduzir a taxa básica de juros, que está no maior patamar de sua história.
Ao anunciar a decisão na quinta-feira, 5, o Copom disse que “os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual” e mencionou entre os riscos de “alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação” uma “conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”.
O Copom publica na próxima semana a ata em que detalha os motivos pelos quais decidiu manter, mais uma vez de forma unânime, a Selic em 15% ao ano.
“Esmorecimento no esforço de disciplina fiscal”
Na ata publicada após a reunião de setembro, o comitê do Banco Central voltou a puxar a orelha do governo Lula, ao dizer que “uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta”.
“O Comitê reforçou a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”, diz a ata do Copom de setembro, repetindo uma mensagem passada desde a época da presidência de Roberto Campos Neto:
“O Comitê manteve a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. Em particular, o debate do Comitê evidenciou, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas.”
Ou seja, o governo Lula reclama da taxa básica de juros a 15% ao ano, mas não faz sua parte para baixá-la.
FONTE: O Antagonista
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