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06/11/2025 às 09h48

Redação

Campo Grande / MS

Alerta nos EUA, China se infiltrou nas redes elétricas
Invasão se deu em stemas críticos incluindo energia, água, transporte e comunicações
Alerta nos EUA, China se infiltrou nas redes elétricas
Foto Divulgação

O general da Força Aérea Tim Haugh, ex-diretor da Agência Nacional de Segurança (NSA) e do Comando Cibernético dos Estados Unidos, rompeu o silêncio após deixar o serviço ativo. Em entrevista ao programa 60 Minutes, da rede CBS, ele fez um alerta grave: Hackers chineses penetraram de forma profunda e perigosa nas redes mais vitais de infraestrutura americana, de usinas elétricas e companhias de água a sistemas de transporte e telecomunicações.


Haugh, que passou 33 anos na Força Aérea, grande parte desse tempo em setores de inteligência, afirmou que os ataques chineses não têm precedentes e violam normas básicas do direito internacional. “Ficamos surpresos ao perceber que a China estava mirando todos os americanos com essas capacidades. Isso vai contra todos os princípios da legislação internacional e da conduta militar em tempos de crise”, declarou.


Segundo ele, Pequim estaria conduzindo o que denomina “guerra irrestrita”, um conceito militar chinês que mistura guerra cibernética, psicológica e econômica para enfraquecer o inimigo antes mesmo do conflito aberto.


Infiltração feita por hackers chineses em serviços básicos


Questionado sobre os alvos dessa ofensiva digital, Haugh foi direto: “Eles miraram o fornecimento de água, a infraestrutura elétrica e o transporte”. Relatórios oficiais indicam que, em 2023, múltiplas intrusões em concessionárias americanas foram detectadas, algumas delas com presença chinesa contínua há pelo menos cinco anos.


“Os chineses estão em usinas de energia, estações de tratamento de água, redes elétricas, hospitais e telecomunicações”, afirmou o general. “Há uma disputa diária para impedir que mantenham esses acessos, mas eles tentam todos os dias. Estão se preparando para um conflito.”


Quando questionado se a China estaria se preparando para uma guerra, Haugh respondeu: “Não há outro motivo para atacar esses sistemas. Não há vantagem econômica nem valor de espionagem tradicional. O único propósito seria usá-los em uma crise ou conflito.”


O papel da espionagem econômica e psicológica


O senador republicano Mike Rounds, presidente do subcomitê de cibersegurança das Forças Armadas, também falou ao programa. Ele acredita que a China pretende intimidar Washington, mostrando capacidade de causar colapsos econômicos instantâneos.


“Basta um atraso de milissegundos nas operações do mercado financeiro para mudar o comportamento de Wall Street”, explicou. “Eles gostariam de poder desligar e ligar as luzes, paralisar reservas aéreas, ou apenas mostrar que são capazes disso.”


Segundo Rounds, a mensagem chinesa seria: “Sabemos onde vocês estão. Não nos provoquem. Podemos causar problemas reais a longo prazo.”


hackers chineses usam técnicas discretas e persistentes


Os ataques não utilizam métodos barulhentos como vírus ou ransomwares. Em Littleton, por exemplo, os invasores exploraram uma falha em um firewall desatualizado e roubaram credenciais de funcionários, passando a operar como se fossem usuários legítimos.


“Eles apenas ganham acesso e ficam dormentes, sem agir. Estão ali caso precisem mais tarde”, explicou Haugh.


Perguntado se os Estados Unidos conhecem a real extensão da infiltração, o general admitiu: “Não temos um conhecimento perfeito disso.” Ele estima que milhões de tentativas automáticas de invasão ocorram todos os dias.


A China nega envolvimento em qualquer ataque. A Casa Branca informou que está “avaliando a exposição e mitigando os danos”. Em Littleton, os prejuízos já ultrapassaram US$ 50 mil, custo da reconstrução total da rede de computadores.


“É muito mais difícil expulsar alguém de uma rede do que impedir sua entrada. Por isso é crucial acertar o básico na proteção de infraestruturas críticas”, observou Haugh.


A ameaça crescente e a resposta americana


Hoje, Tim Haugh atua como professor em Yale e consultor privado, mas segue acompanhando a escalada cibernética chinesa. “Nossa capacidade total está diminuindo enquanto a da China continua crescendo”, alertou.


Para ele, o futuro da segurança nacional depende da parceria entre o governo e o setor privado. “Há ainda imensa capacidade nos EUA, mas caberá à administração utilizá-la e fortalecer alianças com a indústria para combater essas ameaças.”


Haugh conclui com uma advertência: “Se não dominarmos esse espaço, a China ganhará vantagem — poderá continuar roubando propriedade intelectual, ampliando sua coleta de inteligência e se posicionando dentro de redes críticas aqui e em países aliados. Não podemos permitir que isso aconteça.”


 

FONTE: Robson Augusto

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