11/12/2025 às 10h04
Redação
Campo Grande / MS
Há nações – desenvolvidas, é claro – em que o tripé institucionalidade, coletividade e trabalho duro é um pilar fundamental do bem-estar social e da prosperidade econômica. Há outras, porém – as irremediavelmente subdesenvolvidas, como o Brasil -, em que a famosa “Lei de Gerson” (levar vantagem em tudo) não só ainda impera como evolui, transformando o já inóspito ambiente em praticamente terra arrasada.
Muito bem! Quer dar certo em Banânia? Mas certo mesmo? Beleza. Inicie despindo-se de qualquer senso coletivo e preocupação com o próximo. Atenção: neste caso, o próximo não é seu pai, sua mãe, seus filhos. O próximo é, principalmente, aquela pessoa que faxina sua casa, prepara sua comida, te serve no restaurante caro e que trocará sua fralda, no hospital, quando a vida te ensinar que você pode muito, mas não pode tudo.
Prossiga despindo-se, também, de valores civilizatórios básicos, tipo aqueles Dez Mandamentos: Não roubarás, não matarás, não usarás o nome de Deus em vão, não proferirás falso testemunho etc. Isso é fundamental para sonegar impostos, corromper agentes públicos, comprar magistrados, superfaturar bens e serviços, barganhar leis que te beneficiam, não pagar suas contas e conseguir enganar os outros.
Faça amigos poderosos. Quanto mais, melhor. Lembrando sempre, é claro, que nem você é amigo deles, nem o contrário. Apenas estabeleça uma relação de mutualismo. Eles te entregam favores, você lhes entrega (muito) dinheiro e vantagens exclusivas: carona em jatinhos, camarote em espetáculos, contratos milionários com parentes. Atenção: faça amigos também na chamada “grande imprensa”. São muito úteis.
Outra dica preciosa é ter acesso a dinheiro público: emendas parlamentares, empréstimos no BNDES, convênio com o INSS, contratos com ministérios. Se um dia estiver em dificuldades financeiras – na pessoa jurídica, pois a física, jamais -, corra para Brasília e se aproxime dos líderes políticos e da cúpula do Judiciário. Sempre haverá um BRB e um ministro misericordioso para te escutarem com a máxima atenção.
Aliás, cuide bem dos acessos que conseguir. É simples. Patrocine seminários em Lisboa ou Nova York, sempre na companhia dos rostos que orbitam o poder. Desfile em ternos caros e publique nas redes sociais frases sobre empreendedorismo, meritocracia, família e responsabilidade social. O segredo não está no conteúdo, mas na imagem. Quem olhar de longe acreditará na farsa. Quem olhar de perto terá medo de dizer o que viu.
Um alerta importante: se ou quando for pego, negue tudo com convicção. Quando a prova aparecer, ataque a imprensa e diga que é perseguição. Quando o caso escalar, contrate criminalistas que frequentam as altas cortes trajando bermuda e chinelo. Diga que “Erros foram cometidos”, mas nunca por você. E, se ainda assim a coisa piorar, chame o centrão. E claro, prepare sua sucessão. Um filho 01 ou um Ronaldinho costumam funcionar.
Por fim, seja cínico o bastante com o público e cruel o bastante com o privado. Não receie ameaçar, chantagear, corromper e até mandar matar, mas sempre em nome da democracia e, obviamente, de “Deus, Pátria e Família”. Ah! Chame todo mundo de “amigo” e de “irmão”. Distribua muitos sorrisos e abraços. E à noite, antes de dormir, encha a cara de álcool e zolpidem, para conseguir dormir o “sono dos justos”. Em Brasília, 19 horas.
FONTE: Ricardo Kertzman
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