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22/12/2025 às 06h24

Redação

Campo Grande / MS

O MITO DO TRABALHADOR OPRIMIDO
Alex Pipkin, PhD
O MITO DO TRABALHADOR OPRIMIDO

Uma das frases mais falaciosas do debate público contemporâneo nasce de uma indignação cínica e rasteira: “como trabalhadores podem tender a movimentos conservadores e liberais de direita?”.


A pergunta não é ingênua; é mal-intencionada. Parte da ficção segundo a qual o trabalhador é, por definição, um oprimido crônico, incapaz de pensar fora do roteiro que lhe foi bondosamente imposto.


Qualquer pessoa com um mínimo de honestidade intelectual percebe que a chamada “elite progressista” só sobrevive politicamente seduzindo trabalhadores por meio da inveja e do ressentimento. O mecanismo é antigo e eficaz.


Fabrica-se um inimigo moral — o empresário, o patrão, o “rico” — e, a partir dele, legitima-se a tutela permanente. Sem vilão, não há narrativa, e sem narrativa, não há massa de manobra.


A lógica — se ainda merecer esse nome — exige o apagamento do indivíduo. Sua dignidade, sua responsabilidade pessoal e sua capacidade de decisão são substituídas por um coletivo abstrato, amorfo, sempre apresentado como virtuoso e invariavelmente manipulado pelo Estado. O “bondoso Leviatã” promete proteção total, desde que o indivíduo abdique da própria autonomia e aceite ser administrado, evidentemente, com o dinheiro de terceiros.


O que essa engenharia ideológica se recusa a admitir é simples: a maioria dos trabalhadores, dos que trabalham de verdade, não se reconhece nesse mito. Deseja exatamente aquilo que o progressismo despreza, ou seja, emprego, estabilidade, crescimento e independência. Trabalhar, prosperar e não depender de favores estatais tornou-se, paradoxalmente, um ato quase revolucionário em terras tupiniquins.


A esquerda “progressista”, alimentada por um “marxismo tardio”, precisa manter vivo o mito do trabalhador oprimido para continuar existindo. Precisa pintar empregadores como exploradores e trabalhadores como vítimas perpétuas, incapazes de ascender sem tutela. É essa ficção que sustenta seu cabresto eleitoral.


Nada disso é acidental. Um Estado nababescamente hipertrofiado é condição de sobrevivência desse modelo. Normas e regulações se acumulam sob o pretexto de “proteger” o trabalhador, enquanto inviabilizam contratações. A legislação trabalhista inibe empregos; a tributação sufoca empresas; o crescimento econômico é sempre prometido, nunca entregue.


A máxima do “progressismo do atraso” permanece intacta: retirar dos criadores de riqueza — empresas e indivíduos produtivos — para sustentar estruturas improdutivas e dependências artificiais.


O mito marxista é intelectualmente moribundo, mas politicamente ativo, pois capturou as instituições-chave; a política, a mídia e, sobretudo, as universidades, formadoras de militantes, não de especialistas em suas diversas áreas do conhecimento. Ali, jovens idealistas são moldados e velhos dogmáticos reciclam seus dogmas.


O “progressismo do atraso” não produz nem inova, mas se tornou referência em gastar o dinheiro alheio. Sem assistencialismo permanente, sua retórica colapsa. Por isso, impostos sobem de maneira surreal, gastos explodem e a dívida cresce como se o amanhã fosse um detalhe irrelevante.
A solução é singela — e por isso mesmo tratada como heresia: menos Estado, menos saque tributário, mais liberdade para produzir. O resultado seria imediato, com mais investimentos, mais empresas, mais empregos, inclusive melhores.


Mas, pelo andar da carruagem ideológica, isso parece tão improvável quanto dente em galinha.


Ainda assim, o trabalhador que trabalha, o estudante que estuda e o intelectual que pensa sabem: riqueza e empregos nascem de menos Estado e mais indivíduo. Exatamente o oposto do mito — sempre progressista apenas no atraso.

FONTE: Alex Pipkin, PhD

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