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23/12/2025 às 09h14

Redação

Campo Grande / MS

Aranhas fazem cópias de si mesmas para enganar predadores
Espécies de aranhas tecelãs usam réplicas de si próprias em suas teias, o que ajuda a confundir seus inimigos atacantes visuais
Aranhas fazem cópias de si mesmas para enganar predadores
Foto Ecology and Evolution

Cientistas da Universidade Nacional da Austrália (ANU) e da Universidade da Flórida documentaram um comportamento sofisticado em algumas espécies de aranhas do gênero Cyclosa: esses animais constroem versões falsas de seus próprios corpos diretamente nas teias, numa estratégia que pode aumentar suas chances de escapar de predadores.


Réplicas surpreendentemente realistas


Em estudos realizados em florestas tropicais, como partes da Amazônia peruana e nas encostas do Monte Kanlaon, nas Filipinas, cientistas observaram Cyclosa trabalhando cuidadosamente para montar silhuetas de si mesmas usando seda, fragmentos de folhas, restos de insetos e até partículas de solo. Essas construções, juntas com as teias, resultam em figuras que se assemelham a aranhas reais — inclusive sugerindo a forma de pernas e corpo — e ficam suspensas próximas ao centro da teia.


Função possível: defesa contra predadores


Essas estruturas fazem parte de um grupo maior de formações decorativas em teias chamadas de estabilimentais, cuja função tem sido debatida por décadas pelos biólogos. Embora hipóteses anteriores sugerissem que essas decorações poderiam servir para evitar colisões com aves ou até atrair presas, as evidências atuais indicam que, no caso dessas Cyclosa, o principal benefício está na defesa contra predadores.


Predadores como libélulas-lanterna (helicopter damselflies) predam preferencialmente aranhas pequenas, e aves e lagartos podem desistir de atacar se perceberem um alvo maior ou mais difícil de dominar. Ao criar uma silhueta ampliada e semelhante à sua forma, a aranha pode enganar esses predadores e reduzir sua própria vulnerabilidade.


Estratégia ampla ou comportamento isolado?


Os pesquisadores descobriram esse padrão em várias espécies de Cyclosa em diferentes florestas, o que sugere que não se trata de um comportamento raro ou localizado, mas possivelmente um mecanismo evolutivo difundido entre esses aracnídeos.


 

FONTE: Matheus Chaves

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