31/12/2025 às 12h43
Redação
Campo Grande / MS
A Procuradoria-Geral da República (PGR) recebeu, nesta terça-feira (30), uma nova representação solicitando a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O pedido foi protocolado pelo vereador Guilherme Kilter, de Curitiba, e foca em uma suposta atuação do magistrado em benefício do Banco Master.
O parlamentar sustenta que Moraes teria utilizado sua posição institucional para exercer pressão indevida sobre a diretoria do Banco Central (BC).
Segundo o documento, o ministro teria agido para apoiar interesses privados da instituição financeira em negociações que envolviam o Banco de Brasília (BRB).
A iniciativa ocorre apenas um dia após o procurador-geral, Paulo Gonet, arquivar um pedido de investigação semelhante.
No despacho anterior, Gonet afirmou que as denúncias careciam de indícios concretos de ilegalidade e se baseavam majoritariamente em suposições.
O caso ganhou repercussão após reportagens indicarem que Moraes teria ligado ao menos quatro vezes para o presidente do BC, Gabriel Galípolo.
O objetivo dos contatos seria obter aval para a aquisição de ativos do Master pelo banco estatal brasiliense.
Além das supostas ligações, o pedido menciona o conflito de interesses gerado por um contrato de serviços advocatícios.
O escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, recebe pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões da instituição financeira investigada.
O contrato em questão, assinado em janeiro de 2023, poderia render até R$ 129 milhões ao escritório da advogada até o início de 2027.
Técnicos do Banco Central relataram a investigadores que nunca sofreram tamanha pressão política em favor de uma única entidade privada.
Em nota oficial, Alexandre de Moraes negou qualquer tentativa de beneficiar o Banco Master.
O magistrado afirmou que seus diálogos com Gabriel Galípolo trataram exclusivamente da aplicação de sanções financeiras internacionais contra ele, no âmbito da Lei Magnitsky.
A PGR agora deve analisar se este novo requerimento traz elementos inéditos ou se seguirá o mesmo destino da denúncia anterior.
Paulo Gonet já havia ressaltado que o uso de sigilo de fonte em matérias jornalísticas limita o avanço de diligências preliminares.
FONTE: Juan Araújo
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