06/01/2026 às 12h59
Redação
Campo Grande / MS
A dívida da Venezuela com o Brasil terminou 2025 em US$ 1,856 bilhão (cerca de R$ 10,1 bilhões), segundo dados cedidos pelo Ministério da Fazenda à CNN. A cifra corresponde aos valores já pagos pela União em indenizações e os juros de mora acumulados.
A origem desta dívida é a ajuda do Brasil para o financiamento de obras de infraestrutura na Venezuela no início dos anos 2000, como a expansão do metrô de Caracas, uma ponte sobre o Rio Orinoco, a Usina Siderúrgica Nacional e estaleiros. O país caribenho está inadimplente desde 2018.
Os financiamentos foram cobertos pelo SCE (Seguro de Crédito à Exportação), que é lastreado no FGE (Fundo de Garantia à Exportação) — mecanismo operado pela União para garantir o pagamento a exportadores brasileiros em casos de inadimplência dos países importadores.
Segundo o BNDES, todas as as prestações não quitadas pela Venezuela “já foram integralmente indenizadas pelo SCE” e que o saldo devedor foi transferido à União. Dessa maneira, resta a dívida do governo venezuelano com o brasileiro.
Em resposta a questionamentos de parlamentares ao longo de 2025, o Ministério da Fazenda afirmou que não há previsão para os pagamentos. “Os valores não prescrevem e são atualizados conforme os encargos previstos contratualmente. Nesse sentido, a União continuará com os esforços para regularização”, explicou em junho.
Para cobrar o país caribenho, o governo brasileiro indica que vem adotando medidas administrativas e diplomáticas aplicáveis. Estão entre elas realizações de reuniões técnicas com representantes da Venezuela, ocorridas em 27 de agosto e em e 1º de setembro de 2023, e o envio periódico de ofícios de cobrança.
Além da turbulência política em meio à captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, a Venezuela vive há anos um cenário econômico dramático. De 2012 – no início do governo Maduro após a morte de Chávez – a 2020, o PIB per capita desabou de US$ 12.607 para US$ 1.506. Em menos de uma década, a riqueza média do venezuelano encolheu quase 90%.
FONTE: Danilo Moliterno
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