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Brasil

22/01/2026 às 12h57

Redação

Campo Grande / MS

‘Oportunismo eleitoreiro’ de Lula no piso do magistério custará R$ 8 bi
Confederação Nacional dos Municípios considera inaceitável reajuste de 5,4% com uso político, quando era sinalizado 0,37%
‘Oportunismo eleitoreiro’ de Lula no piso do magistério custará R$ 8 bi
Foto Ricardo Stuckert

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) criticou como “eleitoreira e oportunista” a iniciativa do presidente Lula (PT) de editar uma Medida Provisória (MP) que reajusta o piso nacional do magistério em 5,4%, alterando o critério técnico e estável que previa um índice de 0,37%.


O aumento para professores da educação básica pública anunciado pelo chefe do governo petista nesta quarta-feira (21) terá impacto estimado em até R$ 8 bilhões aos cofres municipais, alertou o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.


“É inaceitável que, após anos de silêncio diante de reajustes elevados e ilegais — como os de  33,24% em 2022, e de 14,95% em 2023 —, agora, quando o índice sinaliza 0,37%, o governo federal se mobilize para editar uma MP sob o argumento de ‘injustiça’ no cálculo. Essa incoerência fere a lógica da gestão pública responsável e evidencia o uso político de um instrumento que deveria ser técnico e estável”, condenou Ziulkoski.


A Confederação que representa prefeitos brasileiros sugere que os aumentos reais nos vencimentos devem ser negociados entre os governos municipais e seus respectivos quadros do magistério. Porque dependem das condições fiscais e orçamentárias das prefeituras e dos limites de despesas com pessoal impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).


“O governo federal faz mais uma vez bondade com chapéu alheio e enfatiza que não se constrói valorização da educação com medidas casuísticas, nem se respeita o pacto federativo com decisões unilaterais em ano eleitoral. O piso deve ser política de Estado, responsável e consequente”, critica o presidente da CNM.


Ao anunciar o aumento, Lula exaltou que atualizou a forma de cálculo do piso do magistério da educação básica, garantindo ganho real e estabelecendo o que considerou proteção fundamental de que a correção do piso nunca deverá ficar abaixo da inflação do ano anterior. Com a medida, em 2026, o piso passará de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63.


“Investir na Educação é garantir melhores condições de remuneração aos nossos professores. Isso é respeito e compromisso com quem dedica a vida a ensinar”, argumentou o presidente petista


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Presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, cercado de prefeitos em peregrinação por Brasília. (Foto: CNM/Arquivo)

Lula defendia reajuste menor

Ziulkoski cita uma proposta do próprio presidente Lula, que apresentou em seu segundo mandato o projeto de Lei 3.776/2008 para defender a instituição do indicador do INPC do ano anterior como base para o reajuste do piso nacional do magistério.

O presidente da CNM lembra que a matéria já tramitou no Senado e em caráter terminativo nas comissões da Câmara dos Deputados. E a proposta aguarda apenas ser pautado para deliberação no Plenário pelos deputados federais.


“A CNM reforça que essa é uma despesa criada por norma com força de Lei Ordinária e sem a indicação da fonte de custeio, o que fere o disposto no parágrafo 7º, do art. 167 da Constituição Federal na redação dada pela Emenda Constitucional (EC) 128/2022”, concluiu Ziulkoski

FONTE: Davi Soares

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