02/02/2026 às 12h53
Redação
Campo Grande / MS
Uma sequência de portarias publicadas no Diário Oficial da União entre os dias 27 e 29 de janeiro de 2026 pelo Comando do Exército Brasileiro escancarou de vez um movimento que vem se intensificando dentro das Forças Armadas: a saída voluntária de oficiais de carreira, muitos deles já experientes e com mais de 15 anos de serviço.
Somente em sete dias, foram oito oficiais que solicitaram demissão “a pedido”, sendo quatro capitães, três primeiros-tenentes e um major, conforme atos administrativos do Departamento-Geral do Pessoal (DGP) e da Diretoria de Serviço Militar (DSM). O dado chama atenção não apenas pelo volume concentrado em poucos dias, mas pelo perfil dos militares que deixam a Força: oficiais formados, com cursos, estágios e anos de investimento institucional.
Portarias expõem saída em bloco
As demissões constam de portarias numeradas e publicadas na Seção 2 do DOU, todas fundamentadas no Estatuto dos Militares (Lei nº 6.880/1980) e em normas internas do Comando do Exército. Entre os atos estão as Portarias nº 17, 18, 19, 20, 21, 22, 24 e 25-Asse Ap As Jurd/DSM, datadas de 26 e 29 de janeiro de 2026.
Parte dos desligamentos ocorreu com indenização à União, quando o militar ainda não havia cumprido o tempo mínimo exigido após cursos e formações; em outros casos, a demissão foi sem indenização, indicando tempo de serviço suficiente para isentar o ressarcimento.
Embora o Exército não detalhe oficialmente as motivações individuais, o contexto é conhecido dentro da tropa: jornada indefinida, pressão operacional constante, estagnação salarial, incertezas previdenciárias e a percepção de baixo retorno institucional após anos de dedicação. O fato de a maioria dos desligamentos envolver militares com mais de 15 anos de serviço e até oficiais superiores reforça a gravidade do fenômeno.
Projeção preocupa
Mantido o ritmo observado, oito oficiais em apenas uma semana, a projeção aritmética aponta para mais de 400 oficiais deixando a Força até o final de 2026. Trata-se de uma estimativa linear, confirmada em conversas em grupos fechados de militares das Forças Armadas e suficiente para acender um alerta: a evasão deixa de ser episódica e passa a configurar um problema estrutural de retenção de quadros, especialmente no núcleo intermediário de comando, onde capitães e majores desempenham papel central na operacionalidade da instituição.
Nos bastidores, a leitura feita pelos próprios militares é clara: quando oficiais experientes e com alto potencial para alcançar os postos mais altos na corporação optam por sair bem antes da reserva remunerada, o custo vai além do financeiro, passando a ser institucional, operacional e simbólico.
FONTE: Robson Augusto
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