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05/02/2026 às 06h35

Redação

Campo Grande / MS

5,1% ou 16,6%? O desemprego que o Brasil não quer enxergar
O que fica fora da conta oficial e por que isso distorce o debate econômico
5,1% ou 16,6%? O desemprego que o Brasil não quer enxergar
Foto arquivo

O Brasil vive hoje um paradoxo estatístico. De um lado, o governo comemora uma taxa de desemprego de 5,1%, apresentada como prova inequívoca de sucesso econômico. De outro, a percepção social dominante é a de que o trabalho falta, os empregos são precários e milhões sobrevivem de bicos, auxílios ou desistiram simplesmente de procurar.


A pergunta incômoda é inevitável: o desemprego no Brasil é mesmo de 5,1% — ou estamos diante de uma taxa real próxima de 16,6%?


A diferença entre esses números não é retórica. É metodológica. E, sobretudo, política.


A taxa de desemprego divulgada pelo governo não é calculada sobre a população total, mas apenas sobre a chamada força de trabalho, que inclui exclusivamente duas categorias: pessoas ocupadas e pessoas que procuraram emprego ativamente nas últimas semanas. Quem não se encaixa nesses critérios simplesmente desaparece da estatística.


Hoje, os números aproximados são: cerca de 103 milhões de ocupados, cerca de 5,5 milhões de desocupados oficiais e uma força de trabalho de aproximadamente 108,5 milhões. Com esses dados, chega-se ao índice amplamente divulgado de 5,1% de desemprego.


Tecnicamente correto. Socialmente enganoso.

FONTE: David Gertner

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