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28/02/2026 às 12h55

Redação

Campo Grande / MS

STF Futebol Clube escala Gilmar Mendes para a defesa
Gilmarzão calçou chuteiras de travas altas, desenterrou um processo arquivado em 2023 e mandou a caneta na fuça de Vieira
STF Futebol Clube escala Gilmar Mendes para a defesa
Foto arquivo

Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou: “São 300 picaretas com anel de doutor”. Os mais jovens talvez não conheçam, mas esse é o refrão de uma música dos anos 1990, da banda Paralamas do Sucesso. Luiz Inácio é Lula e, à época, considerava que o Congresso Nacional era composto por “Uma maioria de 300 picaretas”. Como nada está tão ruim que não possa piorar, hoje são bem mais do que três centenas. E o outrora suposto adversário dos 300 picaretas tornou-se, ao longo das décadas seguintes, um de seus principais cúmplices.


Não me perguntem por que iniciei com o parágrafo acima, afinal o tema não é o Congresso, mas o STF, sigla do pomposo Supremo Tribunal Federal, casa guardiã da Constituição, instância máxima do Poder Judiciário. Talvez Freud explique. Livre Associação: ideias soltas. Lembranças. Imagens. Frases aparentemente sem sentido. Contradições. O pressuposto é que o pensamento “desorganizado” não é aleatório. Ele segue trilhas inconscientes. Espero, sinceramente, que Gilmar Mendes, o protagonista dessa coluna, não me entenda mal.


O ministro Flávio Dino, dias atrás, em “defesa indefensável” de seu colega Dias Toffoli, que, dentre outras barbaridades jurídicas aceitou a relatoria de um inquérito do qual é parte interessada, portanto, suspeita, justificou: “Sou STF Futebol Clube”. Ou por outra: pouco importa o que esteja em questão, o amigão do amigo de meu pai – traduzindo: Dino e Lula – estará sempre, incondicionalmente, ao lado da sua corporação. Não só ele, claro. Em nota oficial assinada por todos os ministros, inclusive o “suspeito”, o recado foi cristalino: “Aqui é nóis!”


O sempre excelente – pelo menos até aqui – senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, encontrou uma maneira legal, juridicamente falando, de investigar a empresa da qual Toffoli é sócio e que transacionou dezenas de milhões de reais com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, o “comprador-geral da República”. O liame é o dinheiro sujo do PCC encontrado na Reag, investidora do Master. A CPI aprovou, dentre outras medidas, a quebra de sigilo da Maridt (iniciais de Marília Dias Toffoli).


O caminho seguinte seria apurar a contabilidade da empresa e entender quem ganhou e quanto dos R$ 35 milhões da negociação do tal resort Tayayá foram distribuídos. Algum problema? Bem, para o zagueirão Gilmar Mendes, escalado para a defesa do STF Futebol Clube, sim. Gilmarzão calçou chuteiras de travas altas, desenterrou um processo arquivado em 2023 e num exuberante salto triplo carpado, digno de medalha de platina, mandou a caneta na fuça de Vieira, impedindo monocraticamente a quebra de sigilo da empresa do parça Toffolão.


A canetada na canela da sociedade de Gilmar Mendes é de tal sorte despudorada – até para os padrões atuais do STF -, que, se alguém ainda tinha dúvidas sobre o tamanho da encrenca Master, definitivamente, não tem mais. O que o próprio Toffoli já fez de excêntrico neste caso não é nada perto da decisão daquele que o ex-ministro Luís Roberto Barroso chamou de “Pessoa horrível. Uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia”. Atenção, ministro Gilmar: não estou sendo excessivamente irônico, e quem lhe ofendeu foi seu ex-colega Barroso, talkey?

FONTE: Ricardo Kertzman

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