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Brasil

09/03/2026 às 13h56

Redação

Campo Grande / MS

Vieira tenta barrar classificação de facções como terroristas
Chanceler brasileiro conversou com Marco Rubio
Vieira tenta barrar classificação de facções como terroristas
Foto arquivo

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, conversaram ao telefone para discutir a relação entre os países, após o governo americano sinalizar a intenção de que facções criminosas brasileiras sejam enquadradas como organizações terroristas.


O governo Trump voltou à carga sobre a classificação de organizações terroristas, algo já rejeitado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


No foco de Washington, estão as principais organizações com raízes no Brasil e operação continental, além de elos na Europa, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).


Foi noticiado neste domingo (8) que a burocracia estatal americana já encaminhou a documentação para que ambas facções brasileiras sejam designadas como grupos terroristas, o que poderia ocorrer em duas semanas. O processo de classificação passa por diferentes agências, como os departamentos de Estado e do Tesouro.


O telefonema ocorreu no fim de semana, depois da reunião de Trump com presidentes latino-americanos na Flórida, na qual ele discutiu operações de combate ao crime organizado. O encontro, para o qual o petista não foi convidado, foi batizado como Escudo das Américas, e tratou de segurança pública.


Foram discutidos na conversa aspectos da cooperação judicial e o tema do crime organizado, no âmbito da preparação da visita de Lula e a Trump, adiada após o início da guerra ao Irã.


Integrantes do governo brasileiro temem que a classificação possa dar verniz legal a intervenções militares na América Latina, e lembram da operação de captura do ditador Nicolás Maduro, na Venezuela. Os EUA empregaram uma força aérea e naval militar numa suposta operação contra cartéis de drogas venezuelanos.


Além disso, o Executivo não vê respaldo para a classificação por entender que o crime de terrorismo, conforme a lei vigente no país, tem razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião.


A discussão sobre considerar PCC e CV como grupos terroristas ganhou corpo no ano passado e pautou debates no Congresso Nacional, com clara adesão de parlamentares de direita e de oposição a Lula.


O Itamaraty não quis comentar sobre o telefonema. Até a publicação desta matéria, o Departamento de Estado não havia respondido a um pedido de manifestação.

FONTE: Agência Estado

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