11/03/2026 às 11h35
Redação
Campo Grande / MS
A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, nesta quarta-feira (11), o vereador carioca Salvino Oliveira (PSD-RJ), na Operação Contenção Red Legacy, com o objetivo de desarticular a estrutura nacional da facção Comando Vermelho. O cerco policial também mirou a esposa e um sobrinho de um dos principais líderes históricos da facção carioca, Márcio dos Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP”, que está preso.
O vereador que foi secretário especial da Juventude do Rio, na administração do prefeito Eduardo Paes (PSD), é acusado de negociar com o traficante Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, autorização para sua campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, dominada pelo Comando Vermelho. E a Polícia Civil afirma que Salvino retribuiu com benefícios ao grupo criminoso, “apresentados publicamente como ações voltadas à população local”.
Uma das principais evidências de tal elo do vereador com o CV seria a instalação recente de quiosques na região da Gardênia Azul, que foram ocupados parcialmente por indicados de criminosos da facção, sem concorrência pública.
Mas o vereador Salvino nega ligação com o traficante Doca, ou envolvimento com a instalação de quiosques e disse não conhecer Landerson Lucas dos Santos, outro alvo da operação que é sobrinho do traficante Marcinho VP, cuja esposa Márcia Gama dos Santos Nepomuceno também é alvo de mandado de prisão. “Estou sendo vítima de uma briga política que não é minha”, disse o vereador.
“As investigações reuniram um conjunto robusto de provas que revelam o funcionamento interno da facção, demonstrando a existência de uma cadeia de comando organizada, divisão territorial e articulação entre integrantes em diferentes estados do país. Até o momento, seis criminosos foram presos, incluindo um vereador do município do Rio de Janeiro”, disse a Polícia Civil do Rio.
Engrenagem familiar
A Polícia Civil relata que Márcia Gama, esposa de Marcinho VP, atua na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, participando da circulação de informações entre integrantes e de articulações envolvendo operadores da organização e agentes externos.
Já Landerson, sobrinho de Marcinho VP, é acusado pela Polícia Civil de ser um elo entre lideranças da facção, integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo grupo e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pela organização criminosa, como serviços, imóveis e outros negócios utilizados para geração de recursos e expansão do poder do grupo. Ambos os parentes de Marcinho VP são considerados foragidos da Justiça.
“Mesmo após quase três décadas no sistema prisional, as investigações indicam que Marcinho VP continua exercendo papel central na estrutura de comando da facção, apontado como liderança do chamado conselho federal permanente do grupo”, relatou a Polícia Civil, ao citar que a estrutura criminosa complexa, com conselho nacional, conselhos regionais e articulação entre organizações criminosas de diferentes estados, e até indícios de cooperação entre o CV e a facção paulista PCC.
“A apuração também identificou outros integrantes com funções estratégicas dentro da organização, entre eles o traficante Doca, apontado como principal liderança nas ruas; Luciano Martiniano da Silva, o “Pezão”, responsável pela gestão financeira do grupo; e Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”, encarregado de operacionalizar determinações da liderança”, detalhou a Polícia Civil do Rio.
FONTE: Davi Soares
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