14/03/2026 às 13h20
Redação
Campo Grande / MS
O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e atualmente detido na Penitenciária Federal de Brasília, anunciou nesta sexta-feira (13) a substituição de seu advogado. Pierpaolo Bottini deixa a defesa, que passará a ser conduzida por José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca.
A entrada de Oliveira Lima na defesa reacende as especulações de que Vorcaro pode estar se preparando para um acordo de delação premiada.
Em entrevista à coluna de Igor Gadelha, do portal Metrópoles, o advogado confirmou ter assumido o caso e destacou que a colaboração premiada é vista por ele como um “meio de defesa”.
Embora tenha negado ter procurado a Polícia Federal ou a Procuradoria-Geral da República para tratar de uma possível delação, a declaração reforçou as expectativas sobre a estratégia jurídica do banqueiro.
Oliveira Lima ganhou destaque nacional ao conduzir a delação do empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, que teve papel central na condenação e prisão de Luiz Inácio Lula da Silva durante a Operação Lava Jato.
Pinheiro, que esteve preso entre 2016 e 2019, posteriormente assinou acordo de delação premiada e passou a implicar Lula no caso do triplex do Guarujá, informação que se tornou decisiva para a condenação do ex-presidente. Anos depois, em 2021, Pinheiro chegou a afirmar em carta que havia mentido em parte das acusações.
Com mais de 30 anos de carreira, Oliveira Lima possui forte presença nos principais órgãos da advocacia brasileira. Já presidiu a Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB-SP, a Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo, atuou como diretor da Associação dos Advogados de São Paulo e conselheiro da OAB-SP, e atualmente integra o Instituto dos Advogados de São Paulo.
O advogado também foi reconhecido pela extinta revista Época, que o listou duas vezes entre os cem brasileiros mais influentes. O site do escritório Oliveira Lima & Dall’Acqua Advogados o classifica entre os “quinze mais importantes advogados do Brasil”.
Um traço marcante de Juca é atuar para clientes de espectros políticos distintos. Em 2012, defendeu José Dirceu no julgamento do Mensalão.
No ano passado, representou o general Walter Braga Netto no STF, em processo que culminou na condenação do ex-ministro de Jair Bolsonaro a 26 anos de prisão por envolvimento na suposta ‘trama golpista’.
Durante esse caso, Oliveira Lima se reuniu com praticamente todos os ministros da Primeira Turma, à exceção de Cármen Lúcia, e criticou a falta de acesso integral aos autos, que somavam mais de 100 mil páginas.
Em entrevista ao Estadão, o advogado se posicionou contra ‘ataques’ ao STF: “Eu não gosto de ataque ao Supremo Tribunal Federal. Eu não gosto de ataque aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Eu gosto de falar dessas questões nos autos”.
Sobre atuar em casos de diferentes espectros políticos, afirmou: “Eu já defendi pessoas de uma ideologia mais à esquerda, como já defendi pessoas de uma ideologia mais à direita. E esse caso me ensinou uma coisa: defender a esquerda é mais charmoso para a academia, para as entidades e para a própria imprensa”.
A substituição da defesa ocorre no mesmo dia em que a Segunda Turma do STF manteve a prisão preventiva de Vorcaro. O banqueiro teria informado à nova equipe jurídica que pretende negociar um acordo de delação premiada.
FONTE: Times Brasil/Fórum
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